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A contabilidade do perdão

Análise · Luciano Aragão Bastou uma reunião em São Paulo, um pedido formal de desculpas e a promessa de não tocar no fundo eleitoral.

A contabilidade do perdão
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Análise · Luciano Aragão

Bastou uma reunião em São Paulo, um pedido formal de desculpas e a promessa de não tocar no fundo eleitoral. Com isso, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) recuperou o que seu partido lhe havia negado duas vezes: o direito de concorrer ao governo de Minas Gerais. O deputado Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, resumiu a transação em duas partes. O senador ajuda a “eleger bancada” e aprendeu a “respeitar o processo partidário”.

O aprendizado parece ter sido acelerado. Na terça-feira, o mesmo Cleitinho interrompia a convenção nacional do partido para pleitear a vaga que havia recusado dias antes, citando a morte recente de um irmão. O gesto rendeu-lhe uma repreensão pública de Pereira. Na sexta-feira, os dois conversavam em São Paulo para selar o acordo. O partido emitiu uma nota afirmando que o senador se desculpou com “a população mineira e as forças políticas” e se comprometeu a levar a candidatura “até o fim”.

Um candidato sem custo

A hesitação de um candidato que lidera as pesquisas com 35% das intenções de voto, segundo o instituto Quaest, e venceria todos os adversários no segundo turno não é trivial. Para o Republicanos, a instabilidade de Cleitinho, que segundo correligionários mudou de ideia mais vezes do que o noticiado, representava um risco. O risco de uma implosão em plena campanha. Agora, o cálculo é outro.

Ao abrir mão do dinheiro público da legenda, Cleitinho transforma seu projeto numa aposta de baixo custo e altíssimo retorno para o Republicanos. Se vencer, o partido comanda o segundo maior colégio eleitoral do país. Se perder, terá ao menos usado a capilaridade do senador para eleger deputados federais e estaduais, o que Marcos Pereira citou como justificativa para o recuo. A legenda ganha um puxador de votos sem precisar investir nele um centavo do seu orçamento.

Enquanto isso, o Partido Liberal assiste ao movimento com cautela. Após o primeiro recuo do senador, o PL lançou Flávio Roscoe, mas o coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), já avisou que manterá o nome na disputa. Questionado, Cleitinho ofereceu uma vaga de vice. “Se quiser vir, será bem-vindo.”

A nota oficial do partido formaliza o armistício com ares de capitulação. O candidato pediu perdão. Prometeu ir até o fim. O partido aceitou. Resta saber se o eleitorado mineiro assina embaixo da ata da reunião.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Republicanos lança Cleitinho ao governo de Minas Gerais

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil