Cinco candidatos à Presidência sem agenda pública em 2 de outubro
Em uma mesma quarta-feira, cinco presidenciáveis ficaram sem compromissos públicos. Entenda o impacto na campanha eleitoral.
Análise · Beatriz Fonseca
Numa mesma quarta-feira, 2 de outubro, cinco candidatos à Presidência da República não tiveram agenda pública. Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO) não registraram compromissos oficiais de campanha. Um sexto, Edmilson Costa (PCB), cumpria agenda partidária em Lisboa. O silêncio, aqui, não é um dado homogêneo; é um sintoma das múltiplas campanhas que correm em paralelo, muitas delas longe dos palanques e das ruas.
Enquanto isso, a eleição visível acontecia. Em São Paulo, Augusto Cury (Avante) visitava a Federação Israelita para defender a pacificação. Clariana Barão (Democracia Cristã) caminhava pelo Brás. Romeu Zema (Novo) encontrava-se com motoristas de aplicativo. No Rio, Samara Martins (UP) reunia-se com estudantes na UFRJ. Em Brasília, Wilson Grassi (Democrata) protestava em frente ao Tribunal Superior Eleitoral contra a suspensão de suas redes, determinada pelo ministro Dias Toffoli.
O contraste entre a ausência dos nomes com maior estrutura partidária e a intensa movimentação dos demais candidatos desenha o mapa da desigualdade de recursos, mas também, na minha leitura, de estratégias. Uma campanha presidencial, em sua fase atual, pode se dar ao luxo de operar por outros meios: a máquina partidária, as negociações de bastidores, a propaganda já em veiculação. A rua, para estes, talvez seja um palco a ser acionado em momentos específicos, não uma necessidade diária.
Para os candidatos de partidos com menor expressão nacional, a lógica é inversa. Cada dia sem agenda pública é um dia de existência a menos no debate. A rua, a rádio, o encontro setorial não são apenas escolhas, são imperativos de sobrevivência política. A campanha deles é a campanha do corpo presente, do acúmulo de capital político em varejo.
Esta leitura, naturalmente, se baseia em um único dia e pode ser apenas um retrato efêmero. Uma agenda intensa de viagens e reuniões internas pode explicar a ausência pública de um candidato como Lula, por exemplo. Mas a imagem de uma quarta-feira com tantos candidatos presidenciais fora do radar público, enquanto postulantes a governos estaduais no Amazonas ou em Pernambuco multiplicavam carreatas e comícios, sugere uma dissociação entre as temporalidades e as táticas das disputas.
O que se vê no noticiário é uma fração do processo eleitoral. A verdadeira campanha, para alguns, talvez seja aquela que não conseguimos ver. Resta saber qual delas, a visível ou a invisível, terá mais peso em 4 de outubro.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Candidatos presidenciais e estaduais têm dia de agendas variadas em 2
Fontes: Agência Brasil · g1