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A camisa que não pesa

Análise · Marcos Tibúrcio Aos 18 anos, há um teste definitivo para um zagueiro brasileiro.

A camisa que não pesa
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Análise · Marcos Tibúrcio

Aos 18 anos, há um teste definitivo para um zagueiro brasileiro. Não é o primeiro Gre-Nal, nem a estreia em Libertadores com estádio adverso. É o momento em que se veste a camisa amarela pela primeira vez e ela, em vez de pesar como uma bigorna de responsabilidade, assenta nos ombros como se sempre estivesse ali.

Luis Eduardo, zagueiro do Grêmio, passou por esse rito no domingo, na Granja Comary. Entrou no segundo tempo contra a Bolívia, na vitória do Sub-20. Um amistoso, dirão os cínicos. Um jogo para cumprir tabela, murmurarão os que veem o futebol em planilhas. Mas a arquibancada — mesmo a vazia, imaginária, de um centro de treinamento — sabe que não há jogo inútil para quem veste aquela camisa pela primeira vez em uma nova categoria.

O rapaz passou pela Sub-15, pela Sub-17. É cria da CBF tanto quanto de Eldorado do Sul. Conhece os corredores, os protocolos, o peso do escudo. Mas agora é diferente. A Sub-20 é a antessala do futebol de homens. É o último degrau antes que o mundo te chame pelo nome completo e cobre o passe que um dia foi promessa.

Antes da pausa para a Copa do Mundo, Renato Portaluppi lhe deu a camisa do Grêmio em quatro partidas seguidas. É o tipo de confiança que um técnico não distribui por acaso. É o sinal de que o garoto tem algo que os treinos não fabricam: compostura.

Agora, sob o comando de um novo técnico na Seleção, Paulo Victor, ele fala em "construir uma identidade". Palavra de profissional. Palavra de quem entende que o talento, sozinho, é só um brilho fugaz. É preciso método, repetição, entrosamento. É preciso transformar onze indivíduos numa ideia coletiva de jogo. Ele não fala como um garoto que acaba de estrear; fala como quem já sabe o que a camisa exige.

O Sul-Americano de 2027 é o objetivo declarado. Uma eternidade, no tempo do futebol. Mas para rapazes como Luis Eduardo, é apenas o próximo passo. A estreia contra a Bolívia não foi o fim da jornada, mas o começo do teste real.

Ele sentiu o tecido nos ombros e não se encurvou. Isso, mais do que o placar, é o que importa. Quantos não fraquejaram ali, no limiar entre a promessa e a realidade?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Zagueiro Luis Eduardo, do Grêmio, estreia na Seleção Sub-20

Fonte: ge