A camisa amarela que joga sem nome
Análise · Marcos Tibúrcio Há um Brasil que entra em quadra para cumprir tabela. E há outro, que luta para merecer o nome que carrega na camisa.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há um Brasil que entra em quadra para cumprir tabela. E há outro, que luta para merecer o nome que carrega na camisa. Em Cochabamba, foi o segundo que se viu. A vitória por 3 sets a 1 sobre a Colômbia, que carimba a campanha perfeita na primeira fase da Copa Sul-Americana, tem a frieza de um placar que não conta a história. A história foi outra. Foi a de um time B, um elenco de aspirantes, que olhou para o outro lado da rede e viu um adversário que não sabia, ou não queria saber, que aquela era uma partida protocolar.
A Colômbia, comandada pelo italiano Paolo Montagnani, jogou a vida em cada bola. Não estava ali para compor o cenário. O levantador Samuel Jaramillo, com a autoridade de um veterano, orquestrou um time que venceu um set por 25 a 19 e esteve à frente no placar em outros momentos decisivos. Os colombianos não jogavam contra um time B. Jogavam contra a camisa, contra a história, contra a sombra de um Bernardinho que só voltará para o torneio que realmente importa — o que vale vaga em Olimpíada.
Do lado de cá, o técnico Nery Tambeiro tinha em mãos um grupo de rapazes com uma missão ingrata: vencer sem glória. Se perdessem, o vexame. Se vencessem, a obrigação. E quase tropeçaram nela. Foi preciso que um oposto, Guilherme Sabino, anotasse 18 pontos e que as mãos do levantador Gabriel Bieler encontrassem o tempo certo dos seus atacantes para que o susto não virasse um pequeno drama na altitude boliviana.
A equipe principal descansa, aguarda o Sul-Americano no Rio, o palco nobre onde se decidirá o futuro olímpico. Enquanto isso, em Cochabamba, outros jogadores suam por um torneio que, para a prateleira de troféus do Brasil, é menor. Mas para eles, não. Para eles, é a chance de mostrar que a camisa amarela não é apenas um uniforme de grife, vestido pelos notáveis. É uma responsabilidade.
A semifinal vem aí. E com ela, a mesma pergunta. Quem entrará em quadra: o time que cumpre um dever ou os homens que querem deixar seu nome gravado, nem que seja numa nota de rodapé da história?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge