Ramon Menezes se reúne com Ronaldo por convocação de atletas do Cruzeiro
Técnico da Seleção Brasileira Sub-20, Ramon Menezes, visitou o CT do Cruzeiro e conversou com Ronaldo sobre futuros convocados.
Análise · Marcos Tibúrcio
O telefone tocou na Toca da Raposa. Do outro lado da linha, um recado com sotaque italiano e endereço no Rio de Janeiro: Carlo Ancelotti lembrou-se que existe futebol em Minas Gerais. Cinco nomes do Cruzeiro, do goleiro ao centroavante, estão no primeiro rabisco do novo ciclo da Seleção Brasileira. Uma pré-lista. Uma promessa. Um bilhete que pode tanto virar passagem de avião quanto papel amassado no lixo da história.
Não é a primeira vez. Antes da Copa de 2026, a mesma mão cheia de esperanças azuis apareceu no rascunho da CBF, e nenhuma sobreviveu à caneta do corte final. A arquibancada, que vive de memória longa, sabe disso. A notícia de hoje, portanto, é recebida com a cautela de quem já viu o filme. Um misto de orgulho e pé atrás. Uma sobrancelha erguida.
A espinha dorsal de um time
Mas algo mudou. A lista de Ancelotti não é um aceno protocolar a um clube de camisa pesada. É um raio-x da coluna vertebral de um time. Otávio no gol. Jonathan Jesus na zaga. Zé Lucas no meio. Matheus Pereira na criação. Kaio Jorge no arremate. Não se pinçou um talento isolado, um ponta de lança que destoa do resto. O italiano, de sua prancheta, enxergou um organismo. Viu um time funcionando e perguntou pelos seus órgãos vitais.
É esta a leitura que interessa. A convocação definitiva, que sai na quarta-feira, dirá se o flerte vira namoro. Austrália e Índia são os destinos. Não são exatamente os palcos onde se decide um Mundial, mas é onde se começa a desenhar um. Ancelotti, ao que parece, quer ver se o que funciona no Mineirão consegue respirar o ar rarefeito da Granja Comary.
É justo dizer que este quadro é efêmero — a distância entre uma pré-lista e a amarelinha vestida em campo é a mesma que separa o sonho do despertador. A memória do último ciclo, com seus cinco chamados e zero convocados, é o fantasma que assombra essa euforia contida.
O que se joga, para o Cruzeiro, é mais do que a simples glória de ceder atletas. É a afirmação de um projeto. É a prova de que o caminho escolhido para sair das cinzas não apenas devolveu o time à elite, mas o tornou relevante no mapa do futebol que importa. Para um clube que já deu ao mundo um Tostão, um Dirceu Lopes, um Ronaldo, voltar a ser fornecedor da Seleção não é luxo. É vocação.
Na quarta-feira, quando o técnico anunciar os 26 nomes, o torcedor em Belo Horizonte estará com o rádio ligado. O que ele espera ouvir não é só o nome de um ou outro jogador. Ele espera ouvir o nome do Cruzeiro de volta ao seu lugar. A dúvida que fica é se Ancelotti estava apenas olhando a vitrine ou se realmente veio para fazer compras.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fontes: CNN Brasil · ge