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ACM Neto não alcança Jerônimo Rodrigues na Bahia

Ex-prefeito de Salvador, ACM Neto permanece atrás de Jerônimo Rodrigues por dois pontos percentuais na Bahia, indicando dificuldade em superar o governador.

ACM Neto não alcança Jerônimo Rodrigues na Bahia
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Luciano Aragão

A dois pontos percentuais do governador Jerônimo Rodrigues, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto não consegue, mais uma vez, converter seu nome em uma vantagem inequívoca na Bahia. A pesquisa Quaest (BA-06206/2026) desta quinta-feira coloca o candidato do União Brasil com 39% das intenções de voto e o petista com 37%. Com margem de erro de três pontos, a fotografia do momento é um retrato de imobilidade. Ambos podem estar à frente. Ou atrás.

A repetição do placar de 2022 esconde as mudanças de estratégia. Em sua primeira disputa pelo Palácio de Ondina, ACM Neto apostou na neutralidade presidencial. Agora, acena para o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, mas sem dividir o palanque. O movimento busca um eleitor que rejeita o PT, mas não necessariamente abraça a direita federal. É uma aposta cirúrgica. Jerônimo Rodrigues, por sua vez, dobra a aposta na nacionalização que o elegeu: o governador quer o voto casado com o presidente Lula.

Dois projetos distintos disputam o mesmo eleitorado. O do governador, ancorado na força da máquina federal e estadual, amarrando sua imagem à do padrinho político. O de Neto, tentando isolar a disputa no terreno da gestão baiana, onde seu sobrenome ainda significa algo. O empate sugere que, até aqui, nenhuma das teses prevaleceu.

O desafio dos candidatos está nos 20% do eleitorado que, somados indecisos (12%) e os que pretendem anular ou votar em branco (8%), ainda não escolheram um lado. É um contingente grande o bastante para decidir a eleição sem necessidade de segundo turno, se resolvesse marchar em bloco. Na projeção de um confronto direto, o empate persiste: 44% a 41% para Neto, ainda dentro da margem de erro. Os números mostram um eleitorado consolidado e uma disputa travada no centro do tabuleiro.

Esta análise, claro, se baseia em um quadro que pode ser alterado pelo início do horário eleitoral na televisão. A campanha de rádio e TV tem o poder de mover quem ainda não se decidiu, sobretudo fora da capital. Enquanto isso, o PT avança no Senado com os ex-governadores Rui Costa (23%) e Jaques Wagner (17%), mostrando que a estrutura do partido no estado segue robusta. A oposição, ali, não chega a dois dígitos.

O que o impasse numérico na corrida pelo governo diz? Que a Bahia, principal colégio eleitoral do Nordeste, pode estar vivendo o fim de um ciclo de hegemonia petista de duas décadas. Ou apenas o seu capítulo mais difícil.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Pesquisa Quaest indica empate técnico na disputa pelo governo da Bahia

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil