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Pesquisa eleitoral aponta Furlan com 85% em Macapá

Antônio Furlan (PSD) obteve 85% dos votos em pesquisa de reeleição municipal de Macapá em 2024.

Pesquisa eleitoral aponta Furlan com 85% em Macapá
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Uma reeleição municipal com 85% dos votos, como a de Antônio Furlan (PSD) em Macapá no ano de 2024, costuma ser o tipo de evento político que projeta um nome para além dos limites da capital. A pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta terça-feira, 25 de agosto, sugere que a projeção se confirmou. O ex-prefeito aparece com 55% das intenções de voto para o governo do Amapá. Seu principal adversário, o atual governador Clécio Luís (União Brasil), tem 35%.

Os vinte pontos percentuais que separam os dois candidatos — ambos ex-prefeitos da capital — desenham um cenário de favoritismo para Furlan. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AP-09438/2026, é a primeira do instituto no estado neste ciclo, o que torna arriscado afirmar uma tendência consolidada. Ainda assim, os números oferecem um retrato da dificuldade de Clécio Luís em converter a máquina estadual e o alinhamento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em preferência do eleitor.

O governador aguarda um gesto de apoio do presidente Lula (PT), movimento que se insere nas negociações entre o Palácio do Planalto e o comando do Congresso. Na minha avaliação, a dependência de um aceno federal para reverter um quadro local tão adverso pode ser um sinal de que a candidatura de Clécio Luís ainda não encontrou uma narrativa própria, capaz de se sobrepor à popularidade recente de seu oponente.

No pano de fundo da disputa, está a promessa de exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. Trata-se de um tema que mobiliza expectativas econômicas e ambientais de grande escala, e que por isso mesmo se torna um campo discursivo para os candidatos. Quem conseguir vincular sua imagem à gestão futura dessa nova fronteira de recursos pode alterar a percepção do eleitorado.

A política amapaense parece, neste momento, definida por uma disputa entre dois projetos que nasceram na mesma prefeitura. Um deles já ocupa o Palácio do Setentrião; o outro, com a força de uma vitória municipal expressiva, apresenta credenciais para querer ocupá-lo. A questão é saber se a força de uma reeleição em Macapá é suficiente para governar um estado inteiro.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Dr. Furlan lidera pesquisa Quaest no Amapá com 55%

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil