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Uma falta em Casablanca muda o mapa da Copa

Análise · Marcos Tibúrcio A bola repousava na grama de Casablanca. Aos 20 minutos de um domingo que parecia comum, uma zagueira a ajeitou. Zagueira.

Uma falta em Casablanca muda o mapa da Copa
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A bola repousava na grama de Casablanca. Aos 20 minutos de um domingo que parecia comum, uma zagueira a ajeitou. Zagueira. A gente aprende na geral que a função dela é destruir, é chegar junto, é ser a última muralha antes do goleiro e do desespero. Mas Myriam Nyadjou, de Camarões, tinha outra ideia para a sua própria história. Ela bateu na bola como quem escreve um telegrama definitivo.

Gol. Um a zero contra a Nigéria.

E com esse chute, com esse único movimento de tornozelo, o mapa da Copa do Mundo de 2027, a ser jogada aqui, no Brasil, foi redesenhado. Camarões está dentro. A Nigéria, gigante do continente, está fora da vaga direta. O futebol tem dessas coisas. Ele não respeita retrospecto, não se curva a planilhas. Ele obedece ao instante, ao momento em que uma defensora decide que o seu pé pode ser tão artilheiro quanto o de qualquer camisa nove.

A força que vem do pé da zaga

Não foi um gol qualquer, num jogo qualquer. Era um clássico africano valendo um passaporte para o outro lado do Atlântico. Era a chance de disputar a terceira Copa do Mundo. Nas duas anteriores, em 2015 e 2019, as Leones Indomáveis caíram de pé, nas oitavas. Há um roteiro de quem sabe sofrer, de quem aprende a competir no limite. O chute de Nyadjou não foi apenas técnica; foi a materialização de uma casca grossa, forjada em batalhas continentais.

Enquanto Camarões celebrava, o resto do mundo ajeitava suas contas. A Copa do Brasil já tem dezessete nomes confirmados. Tem a Espanha, atual campeã, e a Alemanha. Tem as vizinhas Argentina e Colômbia. Mas ainda faltam peças pesadas. A Inglaterra, vice-campeã mundial, dona de duas Eurocopas, ainda pena nos playoffs. A Holanda e a Noruega, outras que já sentiram o gosto de finais e títulos, também. O futebol feminino vive uma era em que a camisa, por si, já não ganha jogo. É preciso mais.

É preciso o que Camarões teve em Casablanca: a coragem de deixar a defesa para resolver o ataque. A convicção de uma zagueira que, por um instante, sentiu-se a dona do jogo. A bola ainda viaja em direção à rede nigeriana. E com ela, viaja a certeza de que o drama é o verdadeiro motor deste esporte.

Que outras histórias de pés improváveis nos aguardam até que a bola role por aqui?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Camarões se classifica para Copa Feminina 2027 ao vencer Nigéria

Fonte: ge