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Um time joga; o outro apenas comparece

Análise · Marcos Tibúrcio Há no esporte a matemática fria dos placares, e há a verdade quente das quadras.

Um time joga; o outro apenas comparece
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há no esporte a matemática fria dos placares, e há a verdade quente das quadras. Em Osasco, na noite desta quinta, os números disseram 89 a 74 para Mogi. A quadra do Geodésico, porém, contou uma história mais antiga: a de um time que sabe o que faz contra um amontoado de boas intenções. Mogi segue invicto, e não é por acaso.

Osasco entrou em quadra com seus reforços, suas esperanças embrulhadas em uniformes novos. J.J., Guilherme Lessa e Iago Barry. Três nomes que, até ontem, vestiam as cores do adversário. Fizeram 43 pontos, quase 60% do total da casa. Um roteiro de reencontro, talvez de vingança, que a tabela insistiu em oferecer. Mas um time não se faz com três homens, por mais que eles conheçam os atalhos da cesta. Faz-se com um sistema.

E Mogi tem um. Mesmo sem Georginho e Daniel Von Haydin, cedidos à burocracia da Seleção Brasileira, a equipe operou com a tranquilidade de quem treina junto, janta junto, respira o mesmo basquete. Danilo Fuzaro, com 17 pontos, foi o cestinha. Outros quatro companheiros também anotaram mais de dez. Não há heróis em Mogi, há cúmplices. A bola não procura uma mão salvadora; ela cumpre um destino desenhado no vestiário, nos treinos exaustivos longe das câmeras.

O primeiro quarto foi um retrato fiel do abismo entre os dois mundos. Cinco minutos para o placar se mover, um 5 a 0 arrastado para Mogi. Era o basquete travado, nervoso, de quem ainda está se apresentando em quadra. Aos poucos, a individualidade dos ex-mogianos de Osasco deu as caras, virou o jogo. Fogo de palha. Mogi logo retomou a ponta, abriu oito no segundo quarto, e dali em diante administrou o placar e o desespero alheio. O coletivo, essa entidade tão rara, sempre vence a soma das partes.

Poderia ter sido diferente? É o tipo de pergunta que não cabe no esporte profissional. O resultado é o que é. Um time com cinco vitórias, líder, e outro com cinco derrotas, penúltimo. No sábado, Mogi recebe o Corinthians. Em seu ginásio, com sua gente. Já Osasco encara o Pinheiros, mas o fará também em Mogi, no Hugo Ramos, ginásio do rival. Uma ironia cruel do destino, ou apenas o detalhe final de uma noite que provou que, no basquete, ter um passado em comum não garante futuro algum.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Mogi vence Osasco por 89 a 74 e segue invicto no Paulista de basquete

Fonte: ge