Um teto de vidro em São Paulo
Análise · Beatriz Fonseca A primeira pesquisa Datafolha após o início oficial da campanha, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (SP-01806/2026…
Análise · Beatriz Fonseca
A primeira pesquisa Datafolha após o início oficial da campanha, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (SP-01806/2026 e BR-07185/2026), indica que a distância entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) no estado de São Paulo se mantém. Com 45% das intenções de voto para o atual governador contra 27% para o petista, o cenário desenhado entre 18 e 19 de agosto parece consolidar as posições de partida, mais do que apontar uma nova direção.
A estabilidade, no entanto, é a má notícia para a campanha de Haddad. Sua missão declarada era construir um palanque forte para a candidatura presidencial de Lula no maior colégio eleitoral do país. Os números de agosto, contudo, mostram um desafio maior do que o esperado. A rejeição ao seu nome chega a 47%, quase metade do eleitorado paulista. É o maior índice entre todos os candidatos. A de Tarcísio de Freitas, por sua vez, está em 29%. Esta diferença de 18 pontos na rejeição é, em minha leitura, o dado central para entender a dificuldade do candidato do PT em expandir sua base para além do eleitorado já cativo.
O governador Tarcísio de Freitas, por outro lado, parece ter encontrado seu piso e seu teto no mesmo patamar. Os 45% atuais são virtualmente os mesmos 46% da pesquisa de julho, uma oscilação dentro da margem de erro. O dado mais eloquente a seu favor é a projeção de votos válidos: 52%, o que hoje lhe garantiria a reeleição sem a necessidade de um segundo turno. O apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial não parece, até aqui, ter limitado seu crescimento, mesmo com seu partido, o Republicanos, declarando neutralidade na disputa nacional.
Uma análise que se fie apenas nos números de intenção de voto, porém, pode ser incompleta. O dado da rejeição sugere que a campanha de Fernando Haddad não enfrenta um problema de desconhecimento, mas um obstáculo de imagem consolidada. Para reverter o quadro, a estratégia precisaria ir além da apresentação de propostas. Exigiria uma complexa operação para reconstruir a percepção de quase um em cada dois eleitores.
O tempo de televisão e rádio ainda não começou, e o efeito dos debates é uma variável em aberto. O que o retrato de agosto oferece não é um veredito, mas a medida da inclinação do terreno. Para um, o desafio é manter o passo. Para outro, é provar que a escalada é possível.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Tarcísio lidera com 45% em SP; Haddad tem 27%, diz Datafolha
Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil