Um país em empate técnico
Análise · Beatriz Fonseca Metade do país aprova; metade, desaprova.
Análise · Beatriz Fonseca
Metade do país aprova; metade, desaprova. A pesquisa Quaest, divulgada em 14 de agosto, apresenta um governo tecnicamente empatado em sua relação com o eleitorado: 46% aprovam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 48% a desaprovam. Os números, colhidos entre 10 e 13 de agosto, estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Essa paridade se repete na avaliação qualitativa. Os que consideram o governo positivo somam 36%; os que o veem como negativo, 37%.
O equilíbrio, no entanto, não descreve o quadro completo. Quando perguntados sobre a direção do país, 53% dos 2.004 entrevistados afirmam que o Brasil segue na direção errada, contra 38% que veem o rumo certo. Na minha leitura, essa diferença de 15 pontos sugere uma discordância que os números de aprovação não capturam. A aprovação ao governo pode ser resiliente, mas o sentimento sobre o curso da nação é outro. É um desacoplamento entre a avaliação da gestão e a percepção do futuro coletivo.
A economia parece ser o terreno onde essa tensão se manifesta com mais clareza. Quase metade dos eleitores (49%) diz que a situação econômica piorou. Apenas 19% relatam melhora. Apesar disso, o otimismo resiste: 42% esperam que a economia melhore nos próximos 12 meses. É uma aposta no futuro que ainda não se converteu em satisfação com o presente. O governo parece contar com essa expectativa para sustentar sua base de apoio.
O dado mais estrutural, talvez, venha da pergunta sobre o maior medo do eleitor. Para 45%, é a volta da família Bolsonaro ao poder. Para 41%, é mais um mandato de Lula. Os percentuais refletem, com precisão, a divisão do segundo turno de 2022. Os dois campos permanecem entrincheirados, com suas lealdades e rejeições praticamente intactas.
Em um país onde a principal preocupação é a violência (33%), seguida por um empate triplo entre economia, saúde e corrupção (15% e 14%), o governo se vê diante de um eleitorado dividido, preocupado e com uma esperança econômica que ainda não encontra lastro na realidade percebida. O tempo dirá se a paciência do eleitor é um recurso político renovável.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Quaest: 48% desaprovam e 46% aprovam governo Lula em agosto
Fontes: g1 · CNN Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.