Teresina tem, enfim, um time na primeira divisão
Análise · Marcos Tibúrcio Dez anos é tempo demais para se esperar por uma bola na primeira divisão. Para um estado inteiro, é uma eternidade.
Análise · Marcos Tibúrcio
Dez anos é tempo demais para se esperar por uma bola na primeira divisão. Para um estado inteiro, é uma eternidade. Ontem, em Teresina, no Lindolfo Monteiro, o relógio voltou a andar para o futebol piauiense. O Atlético-PI, o Cavernão, não venceu apenas o 3B da Amazônia por 3 a 1. Conquistou o direito de existir no mapa dos grandes.
O placar agregado de 5 a 1 é um detalhe de tabela, um número para a estatística fria. O que importa é o que ele significa. Natalinha, Thalita, Samanta. Não são apenas os nomes na súmula; são as mulheres que encerraram um jejum que apequenava um estado. Desde 2016, quando o Tiradentes-PI esteve na elite feminina, que o Piauí era um espectador. No masculino, a secura é ainda mais antiga, um deserto que atravessa o século.
O futebol tem dessas justiças poéticas. O acesso do Atlético-PI não é um fato isolado, um clube que sobe. É um evento. Ele acontece às vésperas de o Brasil receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, o mesmo ano em que o Cavernão irá sentar-se à mesa com Corinthians, Flamengo e Palmeiras. É como se o futebol dissesse a Teresina que a festa mundial também lhes pertence.
Não se sabe, claro, como será a jornada. A Série A1 é um moedor de sonhos, um campeonato onde o dinheiro e a estrutura costumam gritar mais alto que o talento. Essa é a verdade que espera o Atlético-PI, junto com Vasco, Minas Brasília e Itabirito. Mas o que se viu no Lindolfo Monteiro não foi a celebração de um futuro incerto, mas a catarse de um presente conquistado. O que se ouvia no estádio não era o eco de um grito de gol. Era o som de um estado inteiro recuperando o fôlego.
Quando a Copa do Mundo desembarcar no país, o Brasil não terá apenas estádios-padrão para mostrar. Terá a história de um time do Piauí que, na sua própria hora e com as suas próprias pernas, decidiu que a elite do futebol brasileiro também era um lugar para chamar de seu.
Quantas meninas em Teresina, vendo Natalinha marcar, não se sentiram pela primeira vez na primeira divisão?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge