Sudão tem crianças sem registro nascidas da guerra e estupro
Milhares de crianças no Sudão, muitas vítimas de violência sexual, enfrentam a ausência de registro civil e acesso a direitos básicos.
Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes
Milhares de crianças nascidas durante a guerra civil no Sudão não possuem certidão de nascimento nem número de identificação nacional, segundo reportagem da BBC News Brasil e da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026. Muitos desses bebês são fruto de estupros e outras violências sexuais que se intensificaram desde o início do conflito em abril de 2023, dificultando ainda mais seu registro.
Amira, jovem de 17 anos com identidade protegida, relata à BBC que seu filho de oito meses "não tem pai, não tem certidão de nascimento e não tem número de identificação nacional". Ela afirma ter sido sequestrada por três homens armados das Forças de Apoio Rápido (RSF) em 2025, enquanto tentava fugir de El Fasher, cidade da região ocidental de Darfur sitiada pelo grupo paramilitar. Amira conta que, vendada, foi levada para Tabit, ao sul de El-Fasher, e mantida em cativeiro por dois meses, sendo estuprada diariamente.
Após descobrir a gravidez e ficar doente, Amira foi abandonada perto do local onde havia sido capturada, dando à luz em um hospital gerenciado pelo Corpo Médico Internacional. A Fundação Nada Al-Azhar para a Prevenção de Desastres e o Desenvolvimento Sustentável (Nada), organização humanitária sudanesa, ofereceu apoio e a ajudou a reencontrar sua família em um campo de refugiados. A situação das crianças sem registro, apelidadas de "invisíveis", agrava o cenário em El Fasher, que foi o último bastião do exército na região de Darfur até cair nas mãos das RSF e milícias aliadas em outubro passado, após 18 meses de cerco.
Sem a documentação básica, essas crianças enfrentam dificuldades para acessar serviços essenciais como educação e saúde, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade em um país devastado pela brutal luta por poder. As fontes não informaram o número exato de crianças nessa condição, nem detalhes sobre a queda de El Fasher além do material já apurado.
Fontes: Folha de S.Paulo · BBC News Brasil
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.
QUER IR MAIS FUNDO?
→ E-books sobre Geopolítica