Candidatos seguem roteiro usual em campanhas de sexta-feira
Luciano Aragão analisa a agenda dos candidatos, que mantêm a rotina de campanha sem grandes alterações às sextas-feiras.
Análise · Luciano Aragão
Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores, estava em Juazeiro do Norte, no Ceará, defendendo o fim da escala de trabalho 6x1. Flávio Bolsonaro, candidato pelo Partido Liberal, visitava um centro tecnológico em São Carlos, interior paulista, onde falou em reter “mentes brilhantes” no país. Separados por 2.500 quilômetros, os dois candidatos que polarizam a corrida presidencial de 2026 cumpriram um roteiro conhecido, quase litúrgico, para seus respectivos eleitorados.
A sexta-feira dos presidenciáveis expõe mais a estratégia de consolidação de bases do que um esforço para conquistar novos votos. Lula, no Nordeste, fala ao trabalhador. Flávio Bolsonaro, no eixo industrial de São Paulo, acena ao empreendedorismo tecnológico. O petista promete mais descanso. O liberal, mais dinheiro. Nenhum dos discursos parece desenhado para converter o eleitor do outro campo. O objetivo, a esta altura, é garantir que os seus compareçam às urnas.
O mesmo cálculo orienta os candidatos de menor expressão. Hertz Dias, do PSTU, estava em Alagoinhas, na Bahia, denunciando isenções fiscais a grandes empresas, uma pauta de apelo à esquerda. Augusto Cury, pelo Avante, almoçava com empresários em São José do Rio Preto e propunha o fim da reeleição, uma bandeira que ressoa entre os que buscam uma terceira via. Cada um fala para a sua paróquia. Edmilson Costa, do PCB, cumpre agenda em Lisboa. Para um candidato comunista, faz sentido.
Esta coreografia eleitoral, no entanto, pode revelar tanto uma tática deliberada quanto uma limitação de recursos e de alcance. Se as mensagens não furam as bolhas de cada candidatura, o quadro geral tende à inércia. É uma campanha que joga para não perder, em que o risco de uma fala fora do script é considerado maior que o benefício de um aceno a indecisos.
Faltam algumas semanas para a eleição. As agendas de sexta podem ser um retrato fiel da reta final ou apenas um prelúdio para um movimento mais agudo de última hora. No momento, a aposta dos estrategistas parece ser no piloto automático. A questão é saber qual deles tem mais combustível no tanque para o dia da votação.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
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Fonte: Agência Brasil