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Seattle recebe o que a Bélgica ainda deve ao mundo

Análise · Marcos Tibúrcio Há uma geração inteira de torcedores belgas que cresceu ouvindo que aquele grupo era o melhor da história do país.

Seattle recebe o que a Bélgica ainda deve ao mundo
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há uma geração inteira de torcedores belgas que cresceu ouvindo que aquele grupo era o melhor da história do país. Os Hazard, os De Bruyne, os Lukaku — nomes que enchiam estádios e alimentavam projeções. A Copa de 2018 foi a grande promessa. A semifinal contra a França, a derrota por 1 a 0, e o silêncio que veio depois. Oito anos se passaram. Aquela geração envelheceu dentro de chuteiras. E Seattle, nesta segunda-feira, é o lugar onde a Bélgica precisa responder, de uma vez, o que foi aquilo tudo.

Os Estados Unidos chegam às oitavas numa posição que seria, há duas décadas, impensável: como favorito de arquibancada, dentro de casa, com uma Copa que eles ajudaram a montar. Jogar em Seattle não é detalhe geográfico. É pressão acumulada em cada assento do estádio, em cada bandeira hasteada desde junho, quando o torneio começou. O futebol americano evoluiu — não apenas no papel, mas na convicção dos jogadores de que podem ganhar isso. Essa convicção, quando genuína, pesa tanto quanto o esquema tático.

A Bélgica, por sua vez, chegou às oitavas pelo caminho mais dramático possível. Bateu o Senegal por 3 a 2 — resultado que não admite conforto nem clareza. Um jogo de cinco gols numa segunda fase é, quase sempre, um jogo de duas equipes desequilibradas, e o equilíbrio que faltou ali pode cobrar juros contra os americanos. A Bélgica que vence por 3 a 2 não é a Bélgica que intimida. É a Bélgica que sobrevive.

Sobreviver, porém, tem seu próprio valor. Equipe que aprende a ganhar feio às vezes aprende o que a equipe bonita nunca soube.

O que está em jogo neste confronto ultrapassa a vaga nas quartas. Para os Estados Unidos, é a primeira geração pós-Pulisic que precisa provar que o projeto virou realidade — que sediar uma Copa não é apenas logística, mas legado. Para a Bélgica, é a última chance de uma era que nunca cumpriu o que prometeu. Não há mais tempo para "próxima Copa". Ou é agora, em Seattle, ou é o epitáfio definitivo de uma geração dourada que ficou com a prata do discurso.

A arquibancada em Seattle vai comparecer com a fé daqueles que nunca precisaram ganhar antes para acreditar. E isso, no futebol, é um adversário que nenhuma escalação prevê.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Estados Unidos enfrenta Bélgica pelas oitavas de final da Copa

Fontes: CNN Brasil · ge