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São Paulo, o voto e o teto de Haddad

Análise · Beatriz Fonseca Dezoito pontos percentuais.

São Paulo, o voto e o teto de Haddad
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Análise · Beatriz Fonseca

Dezoito pontos percentuais. Essa é a distância que a primeira pesquisa Datafolha do período eleitoral, registrada no TSE sob o número SP-01806/2026, estabelece entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu principal adversário, Fernando Haddad (PT). O levantamento, realizado entre 18 e 21 de agosto, aponta Tarcísio com 45% das intenções de voto, contra 27% de Haddad. Em um eventual segundo turno, a diferença se alarga: 54% a 35%.

Os números desenham um cenário de solidez para o atual governador. Sua vantagem é consistente e, quando se compara com a pesquisa anterior do mesmo instituto, de julho, mostra uma oscilação dentro da margem de erro — Tarcísio tinha 46%, Haddad, 30%. O que se vê, portanto, não é um movimento brusco do eleitorado, mas a fotografia de um patamar que se mantém. Tarcísio começou sua campanha formal em Osasco, na Grande São Paulo. Haddad, por sua vez, iniciou a sua ao lado do presidente Lula, em São Bernardo do Campo.

O peso da rejeição

Na minha avaliação, o dado mais complexo para a campanha do Partido dos Trabalhadores não é a distância em si, mas o que pode estar por trás dela. Fernando Haddad, ex-prefeito da capital e ex-ministro da Fazenda, carrega uma taxa de rejeição de 47%. Quase metade do eleitorado paulista afirma que não votaria nele. A rejeição de Tarcísio de Freitas, em contrapartida, é de 29%. Esta diferença de 18 pontos na rejeição espelha quase perfeitamente a diferença de 19 pontos no cenário de segundo turno. Parece haver um teto.

A candidatura de Haddad foi concebida como uma aposta para dar ao presidente um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. A presença do ex-ministro busca nacionalizar a disputa estadual, atrelando seu nome ao do governo federal. A estratégia, até o momento, não parece ter revertido o quadro de antipetismo que historicamente marca o eleitorado paulista. A pesquisa espontânea, na qual o entrevistador não apresenta nomes, reforça essa leitura: Tarcísio tem 26% das menções, Haddad tem 13%, e 50% dos eleitores se declaram indecisos. Sem o estímulo dos nomes, a distância permanece.

Toda pesquisa é um retrato de um momento específico, e não uma previsão do que sairá das urnas. Campanhas importam, alianças se movem e a propaganda eleitoral no rádio e na televisão ainda não começou. O cenário atual, no entanto, coloca uma pergunta central para a coordenação da campanha de Fernando Haddad: a associação com a máquina federal é suficiente para romper a barreira que os números de hoje sugerem?

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Datafolha: Tarcísio tem 45% em SP; Haddad marca 27%

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo · CNN Brasil