Ronaldinho Gaúcho na música: muito além do improviso

A plataforma Netflix estreou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, o documentário "Ronaldinho Gaúcho", que promete recontar a história…

Bica. — Cultura & Arte

O Fato

A plataforma Netflix estreou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, o documentário "Ronaldinho Gaúcho", que promete recontar a história do ex-jogador nos gramados. Porém, conforme informado pela G1, a trajetória musical de Ronaldo de Assis Moreira merece destaque especial dentro dessa narrativa. O documentário dedica três episódios inteiros para explorar a relação do "bruxo" com a música, demonstrando que essa não é simplesmente mais uma atividade aleatória em sua vida pós-futebol.

Ronaldinho Gaúcho é compositor, percussionista e empresário musical. A informação, confirmada pela cobertura do G1, revela que o ex-atleta desenvolveu uma carreira paralela e estruturada no universo sonoro brasileiro. Diferentemente do que muitos poderiam imaginar – uma simples experimentação de alguém famoso explorando novos hobbies – a trajetória musical de Ronaldinho apresenta características de profissionalismo, criatividade e comprometimento genuíno com a produção artística.

O contexto brasileiro atual torna essa história particularmente relevante. Em um momento em que celebridades frequentemente se aventuram em projetos superficiais apenas para manter visibilidade nas redes sociais, Ronaldinho Gaúcho escolheu uma via diferente: investimento real em conhecimento musical, produção de conteúdo com qualidade e estabelecimento de estrutura empresarial para sustentar seu trabalho sonoro. A dedicação de três episódios inteiros do documentário Netflix a esse tema sugere que há substância considerável nessa empreitada, não mero entretenimento.

O documentário surge em contexto de ressignificação da imagem pública de Ronaldinho após seus problemas legais entre 2020 e 2021, quando foi preso no Paraguai por posse de documentos falsificados. A Netflix parece estar contando uma história de transformação: do jogador genial às dificuldades, e agora para um artista multidimensional buscando se reinventar através da música. Essa narrativa reposiciona Ronaldinho não apenas como figura do passado glorioso, mas como criativo em transição.

A Análise de André Cavalcanti

Aqui está o que poucos estão dizendo claramente: Ronaldinho Gaúcho compreendeu algo que a maioria das celebridades brasileiras leva décadas para aprender, se é que algum dia aprendem. A música não é hobby para quem quer deixar legado real; é disciplina, ofício, reinvenção permanente.

Vejo nessa trajetória uma reflexão sobre o que significa ser artista no Brasil. Ronaldinho teve sucesso absoluto em uma arte – o futebol. Mas sucesso em uma linguagem não garante relevância em outra. A escolha dele em estudar composição, desenvolver percussão e estruturar um negócio musical demonstra humildade intelectual rara em celebridades. Ele não entrou no estúdio achando que seria fácil porque já tinha fama. Fez o trabalho.

O documentário dedicar três episódios para isso não é acaso editorial. Netflix não escolhe acaso; escolhe narrativa que conversa com audiências. A plataforma reconheceu que essa é a história importante de agora: não o Ronaldinho que todos conhecem (aquele já está saturado), mas o Ronaldinho que está construindo algo novo, do zero, sem rede de segurança de fama anterior.

Há também uma dimensão cultural aqui que merece reflexão. Ronaldinho é símbolo de uma geração de talentos brasileiros – gênio puro, intuitivo, que não precisava estudar porque tinha talento natural. Sua migração para a música, onde o talento intuitivo não é suficiente (exige-se também técnica formal), representa uma evolução simbólica: a superação do mito do "brasileiro genial que não precisa estudar".

"Quando um ícone reconhece que precisa aprender do zero em novo campo, ele nos dá permissão para fazer o mesmo. E isso é mais valioso que qualquer número de seguidores em rede social."

Minha crítica, porém, é direta: precisamos ver a música, não apenas o documentário. Não basta contar a história de Ronaldinho compositor; precisamos ouvir as composições. O Netflix está vendendo narrativa, o que é legítimo. Mas arte se prova pela obra, não pelo marketing. É hora de Ronaldinho lançar seu trabalho musical sério e deixar que ele fale por si próprio. Documentário é ponte; música é destino.

Está tudo certo em estratégia, posicionamento e narrativa. A pergunta real é: a música aguenta o peso dessa expectativa?

Ronaldinho teve a coragem de responder "sim" para si mesmo. Agora temos direito de perguntar ao trabalho.

Pode parecer apenas documentário em uma plataforma de streaming, mas é convite para repensar quem somos quando nos permitimos começar de novo.

André Cavalcanti — Cultura & Arte. Bica., Xaplin.

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