À MEIA-LUZ · quem fazrevista erótico-literária · quinzenal · quinta · 18hcasa Xaplin
o universo

À Meia-Luz

o bilhete passado por baixo da mesa
apenas desejo, linguagem e arte · sob luz baixa
fica entre nós.
À MEIA-LUZ · a luzIao anoitecer
I · a luz

O quarto sob a lâmpada baixa

A luz baixa não é falta de luz. É escolha — a luz que se acende quando a conversa muda de assunto e a voz desce meio tom, não por vergonha, por cerimônia.

Vitrine mostra tudo, para todos, para ninguém. Um bilhete faz o contrário: escolhe uma pessoa, atravessa a mesa por baixo, chega dobrado e ainda quente da mão de quem escreveu. A À Meia-Luz é uma revista que não se pendura em vitrine — se passa adiante. O que ela mostra é a parte; o todo, quem imagina é o leitor. E é aí que a coisa acontece.

O desejo, nestas páginas, mora no que não se diz. A pausa vale mais que a frase; a soleira, mais que o quarto; a pergunta, mais que a resposta. Sexo, aqui, é tempo: o explícito, quando vem, vem depois da história — porque antes da história ele não significa nada. Lê-se devagar, como quem não quer acordar quem dorme.

E o corpo, nestas páginas, também ri. O desejo é tratado como coisa séria — e coisa séria sabe sorrir no escuro. Prazer é cultura, sexualidade é saúde, e o silêncio nunca curou ninguém: a revista existe para que as coisas ditas em voz baixa tenham, enfim, onde morar.

"— Você tem pressa? — Tenho. — De ir embora? — De ficar."A Calma · frases & diálogos · edição 001

Sai ao anoitecer de quinta-feira, de quinze em quinze dias, às dezoito horas — para ser lida à meia-luz literal. Quem chegou já fez parte.

À MEIA-LUZ · o ritoIIquinzenal
II · o rito

Como se faz uma edição

Cinquenta e duas páginas, montadas como uma exposição itinerante: cinco artistas visuais, cinco vozes de texto, uma poeta convidada que muda a cada número.

Cada edição tem uma titular: a artista que assina a capa, o sumário, a contracapa e a série longa de dez páginas — e que tem direito de veto sobre qualquer página do número que assina. A mão que comanda muda a cada edição, e a revista muda de temperatura com ela: a geometria seca de uma, a ternura da outra, a escultura noturna da terceira, o calor de terra da quarta. A contracapa responde à capa; nada abre sem fechar.

O miolo obedece a uma liturgia: um ensaio fotográfico de oito páginas; dois poemas escritos em resposta a ele; a série da titular; um conto com quatro ilustrações; uma crônica do prazer; um consultório de papel com três perguntas que nunca vêm do mesmo lugar — em cada edição, gêneros e situações diferentes, regra operada, não anunciada. E os canais por onde o leitor entra: Segredos do Ofício, Queime Depois de Ler, Falei, Estou Leve, Pequenas Cenas. Tudo chega sem nome — e assim fica.

Toda modelo fotografada é maior de idade com verificação documental, consente por escrito e tem direito de retirada por sete dias após a publicação — impresso no expediente, não guardado em gaveta. A fotógrafa entrevista cada uma antes do ensaio. Modelo, em página publicada, nunca olha para a câmera.

"Erotismo é leitura. Quem não sabe ler, pede pressa."crônica do prazer · edição 001

Toda ilustração sai da mão de quem assina; as headlines manuscritas são manuscritas de fato, e as legendas, escritas à caneta. Cada seção abre com um ornamento a nanquim — uma chave, uma cortina, uma fechadura, uma mão — e nenhum texto termina cru: no fim de cada um, uma marca tipográfica fecha a porta devagar. Toda autoria é creditada: modelo, ilustradora, fotógrafa, poeta, todas no expediente. E a revista sai quando chega ao ponto — nunca antes.

À MEIA-LUZ · quem trabalha sob esta luzIIIas pessoas
III · as pessoas

Quem trabalha sob esta luz

Dez mãos, cinco vozes, uma mesa discreta. Cada uma entrou com uma condição — e a casa cumpre todas.

As cinco mãos visuais

espera · linha · terra · luz · riso
Retrato de Aurora FalcãoAurora Falcãopranchas · a esperaCaneta bic e nanquim sobre papel envelhecido a chá; desenha a espera. Em toda prancha, um terceiro elemento assiste à cena — uma janela, um gato, um copo, um espelho. Sua condição ao entrar: ninguém edita o traço. "Erotismo é o desenho de uma cena onde duas pessoas estão prestes a aprender uma coisa que ninguém ensina."
Retrato de Lis BrandãoLis Brandãodesign · a linhaUma linha contínua, sem levantar a pena: entra na página por baixo, sai por cima; quem segue o fio encontra a porta. Não pinta — e pediu que não pedissem. "O erotismo não é o que se mostra. É o que a linha pula."
Retrato de Marta GalvãoMarta Galvãocor · a terraGuache e bastão de óleo sobre papelão kraft lixado à mão, seis cromos de terra, página sempre cheia. Testa cada cor contra o sol do Mucuripe: a cor que não aguenta o sol de lá não aguenta a vida. Em toda composição, um azulejo português quebrado, escondido.
Retrato de Bia PáduaBia Páduafotografia · a luzLuz dura única, filme preto e branco, nenhum retoque. Cinco fotografias de teste antes de cada ensaio — sempre cinco — e, em cada ensaio publicado, exatamente uma foto com a sombra da própria câmera. "A pele é o último lugar onde a pessoa tenta esconder. Eu fotografo essa última tentativa."
Riscocartum · o risoCaneta bic preta em papel envelhecido, legenda manuscrita; sem rosto, sem entrevista, sem nome civil — sustenta a velha tradição brasileira da ilustração erótica anônima. Humor de cena de casal, de bilhete, de cozinha; jamais piada que humilha.

As cinco vozes

consultório · conto · crônica · avesso
Retrato de Dra. Renata CamposDra. Renata Campospergunta & respostaSexóloga e psicanalista do consultório de papel. Não usa jargão: o que dói tem nome de casa, não de manual. Chama a leitora de amiga, termina em pergunta, nunca em diagnóstico — e assina como quem fecha uma carta: "Eu te beijo."
Retrato de Beto CalazansBeto Calazanspergunta & resposta"Não respondo pergunta como se eu fosse oráculo. Respondo como se eu fosse vizinho que entende um pouco mais." Escreve cada resposta duas vezes e dorme entre elas: a primeira é a que o analista quer dar; a segunda, a que o leitor precisa receber.
Retrato de Lavínia DuarteLavínia DuartecontoNarrador que respira com o corpo da personagem, o tátil antes do visual, o sexo quase sempre fora do quarto — cozinha, varanda, sítio. Escolhe o conto pela cena que vê primeiro. A gata não tem nome: "ela ainda não decidiu como se chama."
Retrato de Pedro AugustoPedro Augustoo avesso do poderA coluna sobre masculinidade: primeira pessoa sem confissão, uma tese por ensaio, nunca "nós homens" como bloco. Escreve a partir da própria sombra — nunca culpado teatral, nunca redentor.
Retrato de Mariana SalesMariana Salescrônica do prazerAbre com ação concreta, fecha abrindo. Sua condição: a vida dela pode estar nas crônicas, mas quem decide o que sai é ela. "Aprendi sobre prazer não com os melhores amantes. Aprendi com os mais pacientes."

Ao redor da mesa

direção · ombudsman · convidadas
Retrato de Décio VelosoDécio Velosodireção editorialGuardou cinco anos de cartas anônimas antes de publicar a primeira — a edição de estreia abriu o cofre. Lê tudo o que chega; decide devagar.
Retrato de Sebastião LealSebastião LealombudsmanVerificou o contrato de anonimato cláusula por cláusula. É a porta de quem sentir que a edição traiu a essência de um relato: ombudsman@xaplin.com.br.
Retrato de Cida WerneckCida Werneckpoeta convidada · ed. 001O posto muda a cada número: uma poeta, dois poemas, escritos em resposta ao ensaio fotográfico. "Sou o lugar onde a régua se rende."
Helô R. e Marina S.modelos · ed. 001Entrevistadas, consentidas, creditadas no expediente — consentimento documentado, direito de retirada por sete dias. Em página publicada, nenhuma olha para a câmera.
"Mônica"segredos do ofícioPseudônimo; doze anos de ofício e a primeira voz da seção. "Você está cobrando pra ouvir. Quem nunca foi escutado paga muito caro pra ser."
Os confidentes anônimoso resto de nósLeitores que mandam o que nunca contaram a ninguém. São tão personagens deste universo quanto qualquer assinatura — e é por eles que existe o contrato.
Quem escreve "não publicar" no alto do relato tem o texto guardado — e jamais publicado.
À MEIA-LUZ · o conviteIVquinta · 18h
IV · o convite

A lâmpada está acesa

A Edição 001 está no ar, inteira: Geometria do Encontro, com Lis Brandão como titular. Um ensaio fotográfico, dois poemas em resposta, uma série de dez páginas feita de uma única linha, um conto de domingo, três perguntas respondidas sem oráculo — e as primeiras confissões que saíram do cofre.

no ar · leia ao anoitecer
À Meia-Luz · Edição 001 · Geometria do Encontro
cinquenta e duas páginas, uma linha contínua, um cofre aberto.

ler a Edição 001

Promessa impressa é dívida, e a revista paga as que imprime: a linha da Lis pausou na contracapa — "a linha não termina, só pausa" — voltou na Edição 002, A Espera, já no ar; o Acervo Antigo seguiu com o próximo fragmento. As duas edições estão logo abaixo. A lâmpada, essa, não se apaga.

o contrato de anonimato · impresso na edição 001
Você manda.
A gente edita pra publicar.
A gente não pede seu nome.
A gente não pede seu email.
A gente não guarda seu IP.
A gente não tem como te identificar
mesmo se quisesse.
Se a gente publicar e você reconhecer seu próprio relato, sabe que, entre você e a gente, ficou entre nós.
A revista é 18+ porque trata desejo adulto com seriedade adulta. Nada vulgar. Nada pornográfico. Nada moralizante. Bem-vinda. Bem-vindo. Quem chegou já fez parte.
As pessoas desta página são vozes autorais da casa Xaplin — personas, no sentido antigo do teatro: máscaras que dizem verdade. A licença poética da À Meia-Luz é declarada, nunca disfarçada. O leitor sabe; a casa faz questão.
À Meia-Luz · revista da casa Xaplin · quinzenal · quinta · 18h · 18+
À Meia-Luz · a coleçãoVo acervo aberto
V · a coleção

Todas as edições, de portão aberto

A casa não recolhe o que já publicou: a edição nova entra e a anterior fica aberta — para ler, reler e guardar.

Capa da À Meia-Luz · A Espera
edição atual · julho 2026
Ed. 002 · A Espera

Desejo e intimidade tratados com seriedade adulta — a revista que acende a meia-luz. 18+.

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