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Relatórios da PF apontam interferência de Mendonça em operações

Documentos citados pelo ministro Alexandre de Moraes indicam suposto direcionamento de alvos e linhas de investigação.

Ilustração editorial: Relatórios da PF apontam interferência de Mendonça em operações
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · checado em 2 fontes independentes

Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam indícios de interferência do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Os documentos foram revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na quinta-feira (3), que determinou o levantamento do sigilo dos relatórios.

A Polícia Federal descreve um suposto avanço de Mendonça sobre atribuições da instituição, com "indícios crescentes de enviesamento" na supervisão judicial. Os relatórios indicam acesso antecipado de Mendonça ao acervo bruto de dados extraídos de aparelhos celulares, antes da triagem e análise dos investigadores. Para a PF, a medida colocaria o julgador em posição de explorar diretamente o conteúdo das provas, o que poderia comprometer a cadeia de custódia e permitir seleção ou manipulação de documentos.

Os documentos também relatam que Mendonça teria questionado decisões sobre a escolha de alvos de medidas cautelares e providências policiais. Segundo a PF, o ministro teria se interessado pelo andamento de negociações de colaborações premiadas e mantido contato com advogados de possíveis colaboradores. Em uma das situações, Mendonça teria afirmado que, por não confiar na Procuradoria-Geral da República (PGR), poderia conceder benefícios não previstos em lei a partir de uma proposta da Polícia Federal. Os relatórios mencionam ainda um suposto direcionamento da investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, com pedidos para que a equipe apresentasse uma provocação nesse sentido.

Moraes afirmou na decisão que há “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça. A CNN Brasil apurou que o relatório da PF avalia que o ministro vem exercendo “poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”, o que resultaria na “atuação do julgador como investigador”.

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil