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Eleitorado mineiro escolhe candidato ao governo do estado

A análise detalhada de Beatriz Fonseca revela como um terço do eleitorado de Minas Gerais decidiu seu voto para o governo do estado.

Eleitorado mineiro escolhe candidato ao governo do estado
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Um terço do eleitorado mineiro escolheu seu candidato ao governo do estado. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 32% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 8 de setembro. Os outros dois terços se dividem entre uma disputa embolada pelo segundo lugar e uma massa de 31% de eleitores que, somados, ou não sabem em quem votar ou não pretendem votar em ninguém. O retrato, a menos de um mês do primeiro turno, é o de uma dianteira sólida e um campo aberto para o confronto que a definirá.

O levantamento da Quaest, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-04716/2026, mostra o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), com 11% cada. O governador Mateus Simões (PSD) tem 8%. Os três estão tecnicamente empatados, pois a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais. A estabilidade parece ser a marca de seus concorrentes: Patrus manteve o mesmo patamar da sondagem de 25 de agosto, enquanto Kalil e Simões oscilaram um ponto para cima. Cleitinho cresceu três pontos no mesmo período, de 29% para 32%.

Na minha leitura, os números indicam menos uma ascensão individual do que a ocupação de um espaço político deixado vago. As candidaturas de Patrus e Kalil, dois nomes com longo histórico na política mineira e na capital, não parecem ter encontrado, até aqui, uma narrativa capaz de mobilizar o eleitorado para além de seus nichos. Ambos dividem uma alta taxa de rejeição: 40% dos eleitores afirmam que os conhecem e não votariam neles.

O fenômeno de Cleitinho, portanto, parece se alimentar mais da ausência de alternativas com apelo amplo do que de uma força programática própria já consolidada. Os 19% de eleitores indecisos e os 12% que declaram voto branco ou nulo representam um capital político decisivo, um eleitorado que ainda não foi convencido por nenhuma das opções postas. O voto em Cleitinho, para 66% de seus eleitores, é uma escolha definitiva. O mesmo percentual de eleitores de Patrus diz o mesmo. A questão é que o primeiro joga com uma base três vezes maior.

O quadro pode mudar, como todo cenário a esta altura da disputa. A entrada de recursos de campanha, o início do horário eleitoral em rede e eventuais apoios nacionais podem alterar o equilíbrio. O que a pesquisa de 4 a 7 de setembro sugere, contudo, é que a disputa em Minas Gerais não é sobre quem vai vencer Cleitinho, mas sobre quem conseguirá a vaga para tentar.

A política mineira, por tradição, é avessa a saltos no escuro. A eleição de 2026 testará o quanto dessa tradição ainda está de pé.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Cleitinho tem 32% em MG; Patrus e Kalil empatam em pesquisa Quaest

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo