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Popularidade de Lula: O que freia o apoio do eleitorado?

A popularidade do presidente Lula enfrenta um teto de apoio. Analisamos os fatores que limitam seu alcance e o impacto nas próximas eleições.

Popularidade de Lula: O que freia o apoio do eleitorado?
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Análise · Luciano Aragão

Um ponto percentual. Esta é a distância que separa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, do senador Flávio Bolsonaro, do PL, em uma simulação de segundo turno. O número, capturado em pesquisa do instituto Nexus para o banco BTG Pactual, tem a frieza de um placar final: 46% a 45%. A margem de erro de dois pontos para cada lado transforma a diferença em estatística e a estatística em um retrato do país.

O retrato não é bonito. Mostra uma nação onde o presidente, com a máquina na mão e no terceiro ano de mandato, não consegue construir uma vantagem segura contra o filho do antecessor. O mesmo levantamento, registrado no TSE sob o número BR-08900/2026, dá a Lula seis pontos de folga no primeiro turno. A evaporação dessa dianteira na rodada final não é um problema de campanha. É de estrutura.

A transferência de votos entre os campos políticos segue travada. O eleitor que não quer Lula parece disposto a sufragar o sobrenome que já conhece. O resultado do senador fluminense não se explica por uma performance parlamentar extraordinária ou por um carisma que tenha irrompido nos últimos anos. Ele é, antes de tudo, o portador de um capital político que não é seu.

O Planalto observa os dados com o desconforto de quem reconhece um padrão. Contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a vantagem de Lula sobe para cinco pontos. Contra Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, volta ao empate técnico. Zema e Caiado são políticos de carreira, com gestões e biografias para defender ou das quais se envergonhar. Flávio Bolsonaro oferece uma proposta mais simples: ser a negação do lulismo, com a chancela familiar. Para 45% do eleitorado, isso parece bastar.

Claro que uma pesquisa telefônica em agosto de 2026 é um instantâneo, não um destino. A economia pode girar, um fato novo pode rasgar o roteiro, e o próprio Flávio Bolsonaro pode não se provar o nome mais competitivo de seu campo até a convenção. Mas o dado expõe o limite do projeto de pacificação nacional que Lula vendeu em 2022. O presidente governa para metade do país, e a outra metade parece irredutível.

Com quantos pontos percentuais se mede a exaustão de um país?

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Lula e Flávio Bolsonaro empatam no 2º turno, diz BTG/Nexus

Fontes: CNN Brasil · UOL