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Augusto Cury emerge como terceiro nome entre eleitores

Augusto Cury é citado por 5% dos eleitores que antes escolhiam outro candidato.

Augusto Cury emerge como terceiro nome entre eleitores
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Luciano Aragão

De cada cem eleitores, cinco que antes citavam o próprio candidato sem a ajuda de uma lista agora dizem “Augusto Cury”. O escritor e médico psiquiatra saltou de 1% para 5% na pesquisa espontânea do Datafolha (BR-03669/2026). É o tipo de número que atravessa a madrugada nas mesas de campanha, mais até que os 8% que ele alcançou na pesquisa estimulada. Significa que um nome novo começou a grudar.

Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se movem em blocos de concreto, com o presidente numericamente estável em 38% e seu principal adversário parado em 33%, Augusto Cury (Avante) é o único elemento líquido no quadro. Ele subiu seis pontos em duas semanas. Os outros candidatos da chamada terceira via — Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) — perderam um ponto cada. O escritor parece estar drenando os votos que buscavam um endereço fora da polarização.

O efeito imediato se vê na disputa principal. A distância entre Lula e Flávio Bolsonaro, que já foi de dez pontos em maio, agora é de cinco. No segundo turno, a diferença é ainda menor: 46% a 44%, um empate dentro da margem de erro. O presidente ainda vence todos os adversários no confronto direto, mas suas vantagens contra eles também diminuíram. O cenário se comprime.

Não se trata, ainda, de uma reconfiguração do jogo, mas de um sintoma. A taxa de rejeição dos dois líderes permanece altíssima e quase idêntica: 47% não votariam no senador, 45% recusam o presidente. É um teto baixo para ambos. Resta saber se o crescimento de Cury é um movimento sustentado ou apenas o espasmo inicial de uma candidatura que ocupa o vácuo deixado por outros nomes testados.

Por ora, a campanha de Augusto Cury encontrou um eleitorado que não quer nem a memória do governo anterior nem a continuidade do atual. Um eleitor que se sente órfão no Fla-Flu de Brasília. O desafio do escritor, a partir de agora, é transformar essa simpatia inicial em intenção de voto sólida. E, para o Palácio do Planalto e para a oposição do PL, o desafio é entender de onde exatamente saíram esses seis pontos.

O mapa do poder não mudou. Mas um nome que não estava nele agora bate à porta.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Datafolha: Lula tem 38%; Flávio Bolsonaro, 33%, no 1º turno

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil

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