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Voto no trabalho: entenda a influência eleitoral nas empresas

A promessa feita em plenário, com um abraço, revela a crescente influência eleitoral nos locais de trabalho e como ela molda o voto.

Voto no trabalho: entenda a influência eleitoral nas empresas
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Análise · Beatriz Fonseca

A promessa foi feita em plenário, com um abraço. Na quinta-feira, 3 de outubro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu ao senador Paulo Paim (PT-RS) que a Proposta de Emenda à Constituição sobre a jornada de trabalho seria votada. A condição, no entanto, define o calendário político do país: apenas “após as eleições”. O gesto de Alcolumbre encerra, ao menos por agora, o esforço do governo para transformar a redução da jornada de trabalho em um dos trunfos da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

A tramitação da PEC expõe o cálculo que move as duas Casas do Congresso. Aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio, a proposta que reduz a carga máxima de 44 para 40 horas semanais foi resultado de um acordo entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O texto então seguiu para o Senado, onde ficou meses sem avanço. O movimento só foi retomado após o que a apuração descreve como uma reaproximação entre Lula e Alcolumbre, já no contexto da campanha eleitoral.

O governo precisava da matéria aprovada antes de 4 de outubro, data do primeiro turno. Contudo, na véspera da promessa de Alcolumbre, a base governista no Senado recuou. Sem a garantia dos 49 votos necessários para aprovar uma emenda constitucional em plenário e diante da obstrução de senadores da oposição, a liderança optou por não levar o texto à votação.

Na minha leitura, o adiamento serve a dois propósitos. Primeiro, protege a proposta de uma derrota iminente que causaria um dano político ao governo às vésperas da eleição. Segundo, retira do Palácio do Planalto uma bandeira popular de campanha. O benefício do fim da escala 6x1, se vier a ser aprovado, não será mais um fato consumado a ser apresentado ao eleitor, mas uma expectativa transferida para depois do resultado das urnas.

A cena que antecedeu o anúncio é, em si, um retrato da passagem do tempo. O senador Paulo Paim, em seu último mandato, lembrou de sua luta como constituinte, em 1988, para fixar o limite de 44 horas semanais. O apelo por uma decisão agora era também o apelo por um legado. A resposta de Davi Alcolumbre foi a de um presidente da Casa que mede a temperatura política: a pauta é importante, mas seu momento não pode atropelar o rito eleitoral. Naturalmente, esta interpretação parte do princípio de que a promessa será cumprida, o que o histórico de acordos legislativos nem sempre confirma.

O trabalho e o descanso dos brasileiros entraram no cálculo do voto. Agora, saem dele para esperar a contagem das urnas. Resta saber qual Congresso, eleito em outubro, decidirá sobre o tempo dos outros.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Senado vota fim da escala 6x1 após as eleições, diz Alcolumbre

Fontes: Agência Brasil · BBC News Brasil