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Atleta natalense compete em El Salvador

Yasmim Lima, de Natal, representa o Brasil em competição de jiu-jítsu em El Salvador neste domingo.

Atleta natalense compete em El Salvador
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Uma menina de Natal, Yasmim Lima, sobe no tatame em El Salvador neste domingo. Lutará na categoria até 52 quilos, um peso que, na certidão de nascimento, é apenas um número, mas que sobre o tablado se torna um universo de força, alavanca e explosão. Ao seu lado, mas fora da área de combate, estará Fagner Gesteira, seu técnico. Ele não vai lutar. Vai chefiar toda a delegação brasileira, uma promoção que o tira do corner e o põe na cadeira de comando.

Os dois são da Shiro Sport Club, um nome que não ecoa nas grandes arenas do Sudeste, mas que agora envia seus dois principais quadros para uma disputa internacional. O judô, com seu silêncio cortado pelo arrastar dos pés e pelo baque de um corpo projetado, tem dessas coisas. Não precisa de estádio lotado para ser drama. Precisa de dois judocas, um árbitro e a tensão de um golpe que pode definir tudo em segundos.

É fácil olhar o fato e ver apenas a estatística: 146 atletas, 17 países, pontos para o ranking mundial. Mas isso é a linguagem do formulário. A linguagem da vida é outra. É saber que, enquanto Yasmim estiver em San Salvador, um ginásio em Nova Parnamirim estará cheio de crianças. O Jerninhos, para meninos de 7 a 10 anos, acontece ao mesmo tempo. E talvez nenhum deles saiba exatamente quem é Yasmim Lima, mas eles estão ali, pisando no mesmo tipo de tatame, sonhando com o mesmo tipo de ippon.

O técnico Fagner Gesteira fala em "dimensão do trabalho" e "força que o judô potiguar vem conquistando". São as palavras corretas, as palavras de quem precisa justificar o projeto. A verdade, no entanto, é mais simples e mais antiga. Um clube de bairro, com trabalho diário, consegue colocar sua gente no avião da seleção. É uma vitória que antecede qualquer luta, conquistada não sob os holofotes, mas na repetição exaustiva do uchikomi, o treino de entradas de golpe.

Ainda não se sabe se Yasmim voltará com uma medalha pendurada no pescoço; o esporte de alto rendimento é impiedoso com prognósticos. Outras dezesseis judocas brasileiras também estão lá, buscando o mesmo lugar no pódio. O que já se sabe, no entanto, é que um pedaço de Natal estará representado num tablado da América Central. E para as crianças que lutarão em Parnamirim, essa distância pode ser menor do que parece. Pode ser a distância de um sonho.

Quantos deles, ao fim do dia, saberão que uma menina que começou como eles está lutando pelo Brasil a milhares de quilômetros? E quantos perceberão que o caminho para El Salvador, às vezes, começa ali mesmo, naquele ginásio?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge