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O silêncio dos artilheiros do Fluminense

Análise · Marcos Tibúrcio A Copa do Mundo foi um hiato. Para o Fluminense, parece ter sido um ponto final.

O silêncio dos artilheiros do Fluminense
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

A Copa do Mundo foi um hiato. Para o Fluminense, parece ter sido um ponto final. O time que voltou do recesso planetário é uma sombra do que partiu, uma equipe que esqueceu o caminho mais curto e mais belo do futebol: o gol. São quatro gols em sete partidas. Quatro. Um número que não explica, acusa.

Nas Laranjeiras, a bola pune. E pune com o silêncio. Um atacante só marcou desde o retorno, e de pênalti. Hulk, um nome que promete estrondo, só moveu a rede com a bola parada, mansa, a doze passos do goleiro. Cano, Castillo, os pontas — todos se tornaram figuras mudas em campo, personagens de um drama onde o clímax nunca chega. O gol, antes um evento corriqueiro, hoje soa como uma memória distante.

A estatística, essa burocrata do esporte, aponta o Fluminense como o terceiro pior ataque da Série A. É um retrato frio de uma verdade quente, sentida na arquibancada a cada passe errado, a cada chute que morre nas mãos do goleiro. Os gols que agora salvam a honra vêm de quem não tem essa função no RG do futebol: um zagueiro, Ignácio, e um volante, Martinelli. É a infantaria tentando resolver a guerra que a cavalaria abandonou.

Zubeldía, o técnico argentino, busca a fórmula como um alquimista desesperado. Troca o 4-3-3 pelo 4-5-1, lança sete atacantes diferentes ao gramado. Nada. É como tentar abrir uma porta com a chave errada, insistindo no erro enquanto a casa pega fogo. A ausência de John Kennedy, o artilheiro do ano que a temporada levou, é mais que um desfalque. É um fantasma. Sem ele, a referência se perdeu. Savarino, o vice-artilheiro, vive do que fez em maio, antes que o mundo parasse para ver a Copa.

No sábado, contra o Palmeiras, o Maracanã espera. Mas espera com a paciência curta de quem já viu essa peça antes. O time que entrará em campo, provavelmente reserva, tem a obrigação de provar que o Fluminense não se tornou um time que apenas joga. Que ainda se lembra de como se ganha.

O futebol precisa do gol como o teatro precisa do aplauso. Sem ele, o que resta é só o movimento vazio em um palco iluminado. Quantos atos ainda terá essa tragédia tricolor?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge