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O silêncio de Ancelotti revela tensão após derrota

Carlo Ancelotti saiu do campo com expressão fechada, mas otimismo nas redes sociais contrasta com realidade dentro de campo.

O silêncio de Ancelotti revela tensão após derrota

Análise · Marcos Tibúrcio

Carlo Ancelotti saiu do campo com a expressão fechada. Entrou nas redes sociais com otimismo. Entre um momento e outro, há uma distância que merece ser examinada.

O Brasil empatou com Marrocos em 1 a 1 na estreia desta Copa do Mundo. Um resultado que, dependendo de quem o lê, é aceitável ou é um sinal. Ancelotti escolheu lê-lo como ponto de partida — "é só o começo, seguimos olhando para frente" — mas ele mesmo já havia admitido que esperava começar melhor. As duas frases coexistem com dificuldade.

Isso não é incoerência de homem. É a gramática do cargo. O técnico da seleção brasileira não pode, na estreia de uma Copa do Mundo, aparecer com o semblante que carregou ao deixar o gramado. O semblante é honesto. A postagem é gestão. E há uma razão para que a distinção importe: porque o torcedor brasileiro, acostumado a ler nas entrelinhas de cada declaração técnica o estado real das coisas, vai calibrar sua expectativa pelo que o treinador não disse tanto quanto pelo que disse.

O que Ancelotti não disse é que Marrocos não é uma seleção qualquer. É uma equipe que chegou às semifinais da Copa do Qatar, que joga coletivamente com uma disciplina que poucos times no mundo conseguem sustentar por noventa minutos, e que, nesta estreia, arrancou um empate do Brasil. Não cedeu um empate. Arrancou.

"Esperava começar melhor" é, no vocabulário de Ancelotti, uma frase grave. Este é um homem de poucas palavras e palavras pesadas.

O que está em jogo não é apenas um ponto a menos na tabela do grupo. É a narrativa. O Brasil entra em toda Copa do Mundo carregando o peso de 1970, de 1994, de 2002 — e o trauma de 2014, que ainda não foi completamente digerido por uma geração inteira de torcedores. Cada estreia é uma declaração de intenções. Este 1 a 1 não declarou muita coisa, exceto que o caminho será mais difícil do que o otimismo de pré-torneio sugeria.

Ancelotti tem competência provada em campo europeu. Tem títulos que falam antes dele entrar numa sala. Mas a seleção brasileira não é o Real Madrid — não em termos de pressão simbólica, não em termos do que a nação projeta naquelas camisas amarelas. O italiano ainda está aprendendo o peso específico desse trabalho. A expressão fechada que carregou ao sair do gramado sugere que a aula começou.

A postagem otimista nas redes é necessária. A estreia difícil também é. O que vai definir a Copa do Brasil em 2026 não é o que Ancelotti escreveu às onze da noite — é o que ele vai fazer nas próximas semanas para que a expressão fechada não precise aparecer de novo.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ancelotti posta mensagem otimista após empate do Brasil na Copa

Fonte: ge