O rei que trocou a areia pelo chão duro
Análise · Marcos Tibúrcio A areia de Montreal não sentirá mais, por um tempo, a sombra de Anders Mol.
Análise · Marcos Tibúrcio
A areia de Montreal não sentirá mais, por um tempo, a sombra de Anders Mol. O norueguês de 29 anos, campeão olímpico, jogou sua última partida no domingo e tratou de encerrar o expediente como se deve: com um título. Ao lado de Christian Sorum, seu escudeiro, derrubou a dupla brasileira, André e Renato, em dois sets. E então, antes de trocar a coroa pelo contrato na Itália, ofereceu uma cena.
Junto ao público, os dois noruegueses ergueram os braços e simularam remar. Uma coreografia que os brasileiros conhecem de outra arena, outro esporte, outra dor. A “remada viking” do futebol, que assombrou a seleção na Copa do Mundo deste ano, reapareceu na praia. Sem tambores, apenas com as palmas e os gritos da arquibancada canadense. O esporte muda, o gesto fica. É um jeito de dizer, sem palavras, que a Noruega sabe como vencer o Brasil.
Mol não precisava do gesto para provar seu ponto. Seus bloqueios no fim do primeiro set, quando a partida estava em um perigoso 16 a 16, já haviam feito o serviço. Ali, no momento em que os brasileiros sonhavam com a virada em sua primeira final de Elite 16, o campeão disse basta. E fechou a porta. Depois, bastou administrar. O jogo acabou. A temporada também.
Agora, ele parte para o Verona, para o vôlei de quadra, o de ginásio, de piso frio. Deixa para trás a praia e um parceiro, Sorum, que terá de encontrar um novo rumo. A promessa, dizem, é de um retorno em 2027, com a cabeça nas Olimpíadas de Los Angeles. É possível, claro. Mas o esporte não costuma esperar por reis que abdicam. A fila anda, novos nomes surgem, e a areia que hoje é seu reino amanhã pode pertencer a outro.
Ao fim da remada, Mol e Sorum deram um mortal na areia. Uma acrobacia de despedida, o ato final de uma dupla que marcou seu tempo. Resta saber se o homem que trocou o sol pelo teto encontrará o caminho de volta. Ou se esta imagem, do viking que celebra e depois salta para o desconhecido, será a última que teremos dele.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge