O rei nu no estádio em festa
Análise · Marcos Tibúrcio A torcida do Arsenal, campeã da Inglaterra, preparou a festa de boas-vindas.
Análise · Marcos Tibúrcio
A torcida do Arsenal, campeã da Inglaterra, preparou a festa de boas-vindas. Estendeu o tapete vermelho no gramado do Emirates para o seu novo príncipe de 75 milhões de libras, o brasileiro Bruno Guimarães. Houve aplausos, acenos, a promessa de um futuro que, com um homem como ele no meio-campo, só poderia ser glorioso. A liturgia estava completa. O jogador, devidamente apresentado, subiu para a arquibancada. E de lá, de um lugar onde o futebol se parece menos com negócio e mais com vida, assistiu ao seu novo time ser engolido.
O Borussia Dortmund não quis saber de cerimônia. Entrou em campo como quem chega à casa do vizinho sem ser convidado. Sete minutos, e a bola já beijava a rede do Arsenal. Depois, outra vez. No intervalo, o placar eletrônico era um desaforo à festa de minutos antes: 2 a 0 para os alemães. O time que veste vermelho e branco, o soberano da liga mais rica do mundo, parecia um estranho em seu próprio palco.
Dali da tribuna, Bruno Guimarães deve ter visto o que a arquibancada viu. Não um time campeão, mas uma equipe em férias, desatenta. Um grupo que só reagiu quando a água já batia no pescoço. Fez um, depois outro, de pênalti. Insuficiente. A derrota por 3 a 2 foi a segunda consecutiva na pré-temporada. Para um elenco que enfrentará o Manchester City na Supercopa, é mais que um mau resultado. É um mau presságio.
O futebol tem dessas ironias cruéis. Apresenta-se o salvador e, no mesmo ato, expõe-se a ferida que ele terá de curar. O buraco no meio-campo, a lentidão na defesa, a falta de pontaria que um amistoso perdoa, mas um campeonato pune. O clube pagou uma fortuna para ter um maestro, mas a orquestra, neste domingo, parecia desafinada. A festa foi para o homem, não para o time.
Ao final, para cumprir tabela, houve pênaltis. O Arsenal venceu a disputa protocolar. Um consolo inútil, um troféu de nada. Bruno Guimarães foi contratado para um "novo desafio". Mal sabia ele que o veria, nu e cru, antes mesmo de vestir o uniforme.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Bruno Guimarães é apresentado no Arsenal antes de derrota em amistoso