O primeiro dia e o retorno ao berço
Análise · Beatriz Fonseca A campanha presidencial de 2026 começou neste domingo, 16 de agosto, não com a projeção de um futuro, mas com a reafirmação…
Análise · Beatriz Fonseca
A campanha presidencial de 2026 começou neste domingo, 16 de agosto, não com a projeção de um futuro, mas com a reafirmação de um passado. Os três principais candidatos escolheram, para o primeiro dia autorizado de propaganda, cenários que remetem às suas origens políticas. Um movimento que, na minha avaliação, indica uma disputa menos sobre programas e mais sobre a validação de biografias.
Em São Bernardo do Campo, no Estádio 1º de Maio, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) organizou o ato “Lula: onde tudo começou”. A escolha do local é uma peça de comunicação política explícita. O evento busca reconectar o candidato, que tenta seu quarto mandato, à sua identidade de militante sindical, forjada nas assembleias metalúrgicas da mesma Vila Euclides décadas atrás. É um retorno ao ponto zero de sua trajetória pública.
No Rio de Janeiro, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) montou seu trio elétrico na praia de Copacabana, próximo ao Posto 5. O local não é apenas um cartão postal, mas um território consolidado de sua base eleitoral desde as eleições de 2018. Ao iniciar a caminhada ali, o candidato repete um ritual, sinalizando para seu eleitorado que a identidade e os métodos que o levaram ao poder permanecem os mesmos. É uma demonstração de força no espaço que sua militância aprendeu a chamar de seu.
Ronaldo Caiado (PSD) optou por um caminho distinto, mas com a mesma lógica de pertencimento. Em vez de um grande ato, sua agenda para o domingo previu uma maratona por cinco municípios no entorno entre o Distrito Federal e Goiás, de Águas Lindas a Luziânia. O roteiro, que inclui paradas em frente a um sindicato rural e um terminal de vans, ancora sua candidatura em sua base geográfica e setorial mais sólida. O gesto fala menos para o país e mais para o eleitorado que o conhece como governador e figura política local.
A legislação eleitoral autoriza, a partir deste dia 16, comícios e propaganda impulsionada na internet. A tecnologia permite falar com muitos, em qualquer lugar. Os candidatos, no entanto, escolheram falar a partir de um lugar específico, físico e simbólico. A campanha mal começou e as estratégias já apontam para uma eleição de espelhos, em que cada um busca refletir a imagem que acredita ser sua maior força.
A questão que se abre é se uma campanha que começa olhando para o retrovisor terá fôlego para apresentar ao eleitor um horizonte.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Presidenciáveis iniciam campanha em SP, RJ e GO neste domingo (16)
Fontes: Agência Brasil · CNN Brasil