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O Palmeiras remendado e a ausência que não está no gramado

Análise · Marcos Tibúrcio O calendário dirá que o Palmeiras, líder do campeonato, retoma sua jornada contra o Coritiba.

O Palmeiras remendado e a ausência que não está no gramado
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Análise · Marcos Tibúrcio

O calendário dirá que o Palmeiras, líder do campeonato, retoma sua jornada contra o Coritiba. Um jogo de returno, três pontos em disputa. A verdade, porém, é que o time que pisa no Couto Pereira é uma versão improvisada de si mesmo, um rascunho de Abel Ferreira montado com as peças que sobraram no vestiário. A ausência mais sentida, no entanto, não veste chuteiras nem está no departamento médico. Ela se encontra nas salas de reunião, na figura de um jogador que nunca chegou.

Em campo, a lista de desfalques é um poema à adversidade. Giay, o argentino de passo firme, tem o tornozelo virado. Vitor Roque, a promessa que carrega o peso de uma cirurgia, ainda reaprende a correr. No ataque, a coisa ganha contornos de improviso: Allan e Paulinho cumprem suspensões, enquanto o argentino Flaco López goza de um merecido, porém inoportuno, descanso pós-Copa. O que sobra é um ataque de ocasião, com Sosa e Mauricio, nomes que o torcedor ainda decora, e a esperança de que Arias, de volta da Colômbia, reencontre o caminho do gol.

Abel Ferreira, o português que fez do Palmeiras uma máquina de competir, olha para o banco e vê mais problemas que soluções. É um teste não à sua tática, mas à sua capacidade de fazer alquimia com um elenco esvaziado. Piquerez retorna, é verdade, mas para disputar posição. Barboza chega, mas é um nome novo em uma engrenagem que vive de entrosamento. É o tipo de partida que não se vence na prancheta, mas na alma.

Mas o drama real, aquele que define o humor da arquibancada, se desenrola longe dali. O nome de Danilo, do Botafogo, ecoa como um fantasma na Academia de Futebol. O Palmeiras quis o jogador, estendeu um cheque de R$ 120 milhões, ofereceu Naves como parte do negócio. Viu a porta se fechar. O zagueiro foi para o México, e Danilo segue no Rio, esperando uma proposta da Europa que talvez nunca venha. Esta negociação frustrada diz mais sobre a segunda metade da temporada do que qualquer desfalque pontual. Revela o limite, a peça que falta para que o time ideal saia do papel e se torne, enfim, realidade.

Contra o Coritiba, o palmeirense verá um time remendado, lutando para manter a ponta da tabela. Mas no fundo, saberá que a batalha maior não é pelos três pontos em Curitiba, e sim por um time que, por enquanto, só existe na imaginação do seu técnico.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge