Mercado de trabalho mudou desde 2012: taxa de desocupação é a menor
A taxa de desocupação de 5,3% em julho é a menor desde o início da série histórica.
Análise · Ricardo Mendes
A taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em julho é a menor para o período desde o início da série histórica, em 2012. O número, por si, celebraria uma recuperação cíclica robusta. Mas um mercado de trabalho não se resume a um único indicador, e a comparação com a estrutura de uma década atrás revela uma mudança mais profunda do que o simples retorno a um patamar de desemprego baixo.
O dado divulgado pelo IBGE confirma uma trajetória consistente. A taxa cedeu 0,5 ponto percentual contra o trimestre móvel anterior (encerrado em abril) e 0,3 ponto contra o mesmo período de 2025. O contingente de ocupados atingiu 103,3 milhões de pessoas, o maior já registrado pela pesquisa. Trata-se de um avanço quantitativo inegável, com 1 milhão de trabalhadores a mais em apenas um trimestre. Igualmente relevante é a queda na taxa de subutilização, que agrega os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial. Este indicador, que mede a ociosidade do trabalho de forma mais ampla, recuou para 13%.
A composição dessa ocupação recorde, no entanto, é o que demanda um exame mais detido. Do total de trabalhadores, 39,4 milhões estão empregados com carteira assinada no setor privado. Outros 13,8 milhões atuam sem carteira, enquanto 26,1 milhões são trabalhadores por conta própria. A soma desses dois últimos grupos representa uma parcela da força de trabalho maior do que a registrada em períodos anteriores de desemprego igualmente baixo, como em 2012. Essa não é uma crítica à qualidade da recuperação, mas a constatação de uma nova morfologia do emprego no Brasil.
É uma estrutura que responde com mais agilidade aos ciclos econômicos — para o bem e para o mal. A leitura de que o dado representa um aquecimento excessivo da demanda, com potencial para pressionar a inflação de serviços, precisa ser qualificada por esta nova realidade. Um mercado com maior informalidade e com mais trabalhadores por conta própria tende a ter uma inércia salarial menor.
Este quadro, no entanto, não é imutável. Resta saber se o crescimento sustentado da ocupação nos próximos trimestres se traduzirá, gradualmente, em maior formalização, ou se esta nova proporção entre emprego formal e outras formas de ocupação veio para ficar. Essa é a questão que definirá não apenas os debates sobre política monetária, mas o próprio desenho de políticas públicas para as próximas décadas.
O Brasil de 2026 recuperou a taxa de desemprego de uma década atrás. Mas em que país acordamos?
Ricardo Mendes
Ricardo Mendes — Economia — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Desemprego cai a 5,3%, menor taxa para julho desde 2012
Fontes: g1 · CNN Brasil