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Jogador custa R$ 600 milhões sem marcar gols em 95 jogos

A Xaplin On analisa o caso do atleta contratado por valor milionário que ainda não balançou as redes em quase uma centena de partidas.

Jogador custa R$ 600 milhões sem marcar gols em 95 jogos
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Análise · Marcos Tibúrcio

Noventa e cinco jogos, cento e oitenta centímetros e zero gols. Este é o prontuário de Ayyoub Bouaddi, 18 anos, parisiense de certidão, marroquino de camisa. O Manchester City olhou para a coluna de gols zerada e não hesitou. Assinou um cheque que pode chegar a R$ 600 milhões. E o futebol, por um instante, pareceu um romance de ficção científica. Ou uma aposta de mesa alta, com a alma de um garoto no centro do pano.

O dinheiro no futebol moderno não explica mais o jogo; ele se tornou o próprio jogo. É a primeira jogada, antes mesmo do apito. Seiscentos milhões por um meio-campista que nunca viu a rede balançar por seus pés não é um investimento em estatística. É uma aposta naquilo que a planilha não enxerga: a pausa, o drible que desarruma uma defesa, a virada de jogo que nasce de um olhar. É a compra de uma promessa, embalada no vácuo de uma Copa do Mundo que o apresentou como o mais jovem em quartas de final desde Pelé. A comparação, por si só, já é um fardo.

O City não contratou o jogador, contratou o que ele pode vir a ser. Um projeto. E projetos dessa magnitude financeira costumam esmagar o homem dentro do uniforme. A torcida no Etihad, que viu craques feitos e refeitos, agora recebe um talento ainda em estado bruto. Não se pagou pelo que Bouaddi fez no Lille, onde era um coadjuvante de luxo. Pagou-se pelo que ele fez contra o Brasil naquele jogo da Copa: um drible, uma fagulha de desobediência que, para alguns olhos, vale mais que mil gols fáceis.

Há um drama silencioso na escolha deste rapaz. Nascido na França, vestiu a camisa azul dos sub-21. Mas, na hora grande, na hora da Copa, atendeu ao chamado do sangue dos pais. Virou marroquino. Há quem veja nisso oportunismo; outros, uma busca por identidade que o futebol, às vezes, permite. Essa decisão diz mais sobre seu caráter do que qualquer mapa de calor. É a assinatura de um homem que escolhe o caminho mais longo. Resta saber se esse caminho o levará para dentro de campo, ou se ele se tornará apenas a cifra mais cara a esquentar um banco de reservas.

O contrato é de cinco anos. Uma eternidade para um garoto de 18, um piscar de olhos para um clube do tamanho do City. A única certeza é que a cada passe errado, a cada jogo discreto, a sombra dos R$ 600 milhões estará ali, na nuca de Bouaddi, pesando como chumbo. Que tipo de jogador nasce de uma pressão assim?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: City contrata Ayyoub Bouaddi por até R$ 600 milhões

Fonte: ge