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O Maracanã devia esta Copa às mulheres

Análise · Marcos Tibúrcio Onze anos. Faz onze anos que a seleção feminina não pisa no Maracanã.

O Maracanã devia esta Copa às mulheres
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Onze anos. Faz onze anos que a seleção feminina não pisa no Maracanã. Na última vez, em 2016, uma semifinal olímpica contra a Suécia, a bola teimou em não entrar por 120 minutos. Veio a cal, o silêncio, os pênaltis. E o estádio, que já viu tanta glória, se despediu das suas jogadoras com o gosto amargo do quase.

O anúncio de que o Maracanã abrigará não só a final, mas também a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2027, tem menos a ver com a lógica fria de um calendário da Fifa e mais com o acerto de contas de uma velha dívida. Um estádio não é só concreto. É memória. E a memória do Maracanã com o futebol feminino de camisa amarela ainda está por ser escrita em suas páginas principais.

A disputa de bastidores com a Neo Química Arena, em São Paulo, revela o tamanho da mudança. A casa corintiana, habituada à seleção, berço do time mais vencedor da modalidade no país, tinha seus argumentos. Eram bons, eram justos. Mas a Copa do Mundo não se joga apenas com retrospecto recente. Joga-se com mito. E o mito mora no Rio de Janeiro.

A decisão não é apenas geográfica. É simbólica. É a chancela do templo a um futebol que passou décadas jogando em campos secundários, longe dos grandes palcos, como se fosse um rito menor.

Claro, o caminho até a final, em 25 de julho, é uma estrada longa, cheia de curvas em Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo. Um tropeço na primeira fase pode redesenhar todo o mapa. Mas a promessa, o destino traçado no papel, é o de uma jornada que começa e termina no mesmo gramado sagrado. Um ciclo completo.

Que o estádio, em 2027, devolva às mulheres o que lhes tirou em 2016. E que pague, de preferência, com a mesma moeda que usou em 2007, quando uma geração de ouro, com Marta, Cristiane e Formiga, encheu suas arquibancadas para esmagar o Canadá e os Estados Unidos e levar o ouro do Pan-Americano.

Aquele Maracanã de 2007 era festa. O de 2016, drama. Qual será a face do estádio em 2027?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Maracanã sedia abertura da Copa Feminina em 24 de junho de 2027

Fonte: Agência Brasil