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Professor Marcos Tibúrcio supera longa batalha e recebe alta hospitalar

Professor Marcos Tibúrcio, figura do esporte, recebe alta hospitalar e encerra longa internação, marcando um novo capítulo em sua recuperação.

Professor Marcos Tibúrcio supera longa batalha e recebe alta hospitalar
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

O homem do tetra saiu do hospital neste sábado. O placar final, depois de oitenta dias, informa a vitória de Carlos Alberto Parreira. Oitenta. Uma Copa do Mundo inteira, da abertura à final, dura um mês. Parreira jogou quase três. E esta não teve prorrogação negociada, nem intervalo para ouvir o vestiário. Foi um jogo bruto, apitado pela biologia, disputado num leito do Samaritano da Barra.

O boletim médico, frio como um relatório de arbitragem, descreve a sucessão de eventos: inflamação pulmonar, ventilação mecânica, sangramento nasal, traqueostomia, hemodiálise. A linguagem da UTI é uma escalação de horrores anônimos. Mas Parreira não é anônimo. É o sujeito que, em 1994, olhou para um país que exigia espetáculo e entregou o que era preciso: um troféu. Uma vitória pragmática, por vezes feia, construída com a paciência de quem sabe que a glória não se alcança com firulas, mas com resistência.

Uma outra Copa, sem bola

Nesses quase três meses, o Professor reeditou sua própria Copa. Travou uma disputa tática contra um adversário invisível que o acuou na pequena área de uma cama hospitalar. Não havia Romário para decidir no último minuto. Não havia Taffarel para defender o pênalti. Havia um corpo de 83 anos, aparelhos e a equipe do pneumologista Arthur Vianna. “Dias muito difíceis e de extrema gravidade”, disse o médico. A arquibancada, desta vez, não pôde gritar seu nome. Só pôde esperar, em silêncio, pelas notícias do plantão.

A memória do futebol é curta para os que perdem e seletiva para os que ganham. Parreira, para muitos, é a figura cerebral que desmontou o encantamento em nome da eficiência. Talvez essa leitura nunca mude, e talvez nem precise. Mas o homem que deixou o hospital hoje, “lúcido e colaborativo” segundo a nota oficial, não é o estrategista do tetra, nem o coordenador de 2014. É um sobrevivente.

Ele venceu a batalha que não escolheu. Saiu do campo sem levantar taça, mas carregando algo mais definitivo: o dia seguinte. Aquele que o futebol, com sua urgência por resultados, tantas vezes nos faz esquecer que existe.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Parreira recebe alta do Samaritano após 80 dias internado

Fontes: g1 · CNN Brasil

Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.