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O joelho de Judivan e o mapa do exílio

Análise · Marcos Tibúrcio Há nomes que o futebol não esquece — e há nomes que o futebol nos obriga a lembrar. O de Judivan é um desses.

O joelho de Judivan e o mapa do exílio
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há nomes que o futebol não esquece — e há nomes que o futebol nos obriga a lembrar. O de Judivan é um desses. A notícia de sua chegada ao Uttaradit FC, seu sétimo clube na segunda divisão da Tailândia, não é um registro de transferência. É o epílogo de uma promessa interrompida.

O torcedor do Cruzeiro, aquele que se espremia no Mineirão em 2014, não recorda o atacante pelos dois gols em 28 jogos. Ele recorda o garoto que surgiu da base com a certeza dos predestinados. Recorda, principalmente, daquela tarde de 2015, no Mundial Sub-20. Judivan vestia a camisa da Seleção Brasileira. Do outro lado, o zagueiro uruguaio Maurício Lemos não entrou para disputar a bola. Entrou para ceifar um destino.

A geografia de uma falta

O futebol tem sua própria geografia. Há os mapas que levam a Milão, a Madri, a Manchester. E há os que levam ao exílio. A entrada de Lemos redesenhou o mapa de Judivan. O joelho que se desfez ali, em campo, foi o epicentro de um terremoto que o atiraria em uma peregrinação por América-MG, CSA, Tombense, até cruzar o mundo para uma turnê anônima por cidades tailandesas.

Não há fatalidade maior no esporte do que o talento abortado por um instante de violência. A carreira que se seguiu à lesão foi uma busca desesperada por um corpo que já não existia, por um ritmo que se perdeu em uma sala de cirurgia. Os empréstimos, a rescisão, tudo isso é burocracia. O drama, o que importa, é o que se passa na alma de um jogador que ouvia seu nome cotado para a Europa e hoje o lê em um alfabeto estranho, longe de qualquer holofote.

O anúncio pelo Uttaradit FC é a prova. Prova de que a bola pode até ser justa dentro das quatro linhas, mas a vida que a rodeia não tem compromisso com roteiros felizes. Judivan, aos 31 anos, segue jogando. É a sua teimosia contra a memória daquela falta.

Quantos craques não chegam a sê-lo, não por falta de bola, mas por excesso de um zagueiro qualquer?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ex-Cruzeiro Judivan é anunciado no Uttaradit FC da Tailândia

Fonte: ge