O Japão que o Brasil não pode subestimar
Análise · Marcos Tibúrcio Há uma armadilha velha nessa Copa, e o Brasil está prestes a caminhar em direção a ela.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há uma armadilha velha nessa Copa, e o Brasil está prestes a caminhar em direção a ela. O Japão terminou o Grupo F na vice-liderança, atrás da Holanda, com um empate contra a Suécia que bastou para garantir a classificação. No Brasil, essa combinação de palavras — vice-liderança, empate, Suécia — vai soar, para muita gente, como convite ao descuido. Seria um erro grave.
O futebol japonês não é mais uma curiosidade asiática para ser contemplada com condescendência. É uma escola. Nos últimos vinte anos, o Japão construiu, tijolo por tijolo, uma geração de jogadores formados nas melhores ligas europeias, com disciplina tática que envergonharia seleções com três vezes o seu orçamento. Eles não jogam por impulso — jogam por sistema. E sistema, numa fase eliminatória, vale mais do que talento disperso.
O empate com a Suécia não é sinal de fragilidade. É, antes, o retrato de uma equipe que sabe exatamente quanto precisa fazer — nem mais, nem menos. Essa virtude tem nome no futebol: maturidade. É o que separa times que participam de torneios dos que os disputam de verdade.
O Brasil chega à segunda fase como favorito. Mas favoritismo, no mata-mata, é uma narrativa — não uma garantia.
Segunda-feira, às 14h, horário de Brasília, o encontro acontece. A hora é inconveniente para o torcedor que trabalha, mas o jogo não espera. E o Japão, certamente, tampouco. Eles virão com a mesma organização compacta que tornou a seleção asiática uma das mais difíceis de desestruturar nos últimos anos em Copa do Mundo. Quem esqueceu a Alemanha e a Espanha, em 2022, que reveja as imagens.
O Brasil, por sua vez, chega a esse confronto carregando o peso que sempre carrega: a expectativa que o país deposita sobre onze homens como se o destino nacional dependesse do que acontece dentro de um retângulo de grama. Esse peso é real. Ele aparece nos pés, na cabeça, nos minutos finais quando o placar aperta. A seleção brasileira precisará jogar com a cabeça fria justamente quando a pressão pedir o contrário.
O que está em jogo segunda-feira não é apenas uma vaga nas quartas de final. É a prova de que o Brasil chegou a esta Copa não apenas com nomes, mas com ideia. O Japão vai cobrar isso em campo — com respeito, com eficiência e sem nenhum complexo de inferioridade. Eles aprenderam, lá atrás, que respeitar adversário não significa temê-lo. É uma distinção que o Brasil também precisa fazer agora, olhando para o outro lado da chave.
Segunda-feira dirá qual das duas seleções entende melhor essa diferença.
*Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin*Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge