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Brasil subestima força do Japão no futebol

Existe uma tradição no futebol brasileiro de olhar para o Japão com benevolência mal disfarçada.

Brasil subestima força do Japão no futebol

Análise · Marcos Tibúrcio

Existe uma tradição no futebol brasileiro de olhar para o Japão com uma espécie de benevolência mal disfarçada. Como se a seleção asiática fosse um adversário de passagem, um nome que aparece no chaveamento antes do jogo de verdade. Essa leitura, em 2026, pode custar caro.

O Japão terminou o Grupo F em segundo lugar depois de empatar com a Suécia, 1 a 1, em Dallas. Classificou-se. Avançou. E vai encarar o Brasil nos 16-avos de final da Copa do Mundo. Até aqui, nada de extraordinário — é o script de quem faz o suficiente para seguir em frente. Mas o suficiente, no futebol japonês contemporâneo, tem um peso diferente do que tinha há dez, quinze anos.

A Folha lembrou que o único confronto entre as duas seleções em Copa do Mundo terminou com vitória brasileira. É verdade. É também, neste contexto, uma informação que serve mais para adormecer do que para iluminar. O Japão que perdeu aquela partida não é o mesmo que joga hoje. A seleção japonesa atual é construída, em boa parte, em clubes europeus de primeiro nível — jogadores que treinaram sob pressão real, que entenderam o que é defender em bloco baixo e transitar com velocidade e precisão. Não é um time de honra e disciplina folclórica. É um time tático, moderno e perigoso.

O empate com a Suécia diz alguma coisa sobre esse Japão. Não foi uma classificação de quem se salvou — foi de quem administrou. Há uma diferença entre esses dois verbos que o resultado numérico, sozinho, não carrega.

O Brasil chega a esse mata-mata como favorito. Mas favoritismo, em Copa, é uma narrativa que o placar desfaz em noventa minutos.

A questão que se coloca não é se o Brasil pode perder para o Japão. A questão é se a seleção brasileira — e sua comissão técnica — vai entrar em campo com o respeito que o adversário exige, ou com a memória confortável de uma vitória em outro século. Há uma diferença entre preparar um jogo e confirmar uma formalidade.

O futebol japonês chegou aos 16-avos desta Copa do Mundo pelo mérito de quem compete, não pelo acaso do chaveamento. Saiu do Grupo F à frente da Suécia na classificação geral, o que já é um dado que merece ser lido com atenção. E vai a campo contra o Brasil carregando algo que adversários sem história costumam não ter: a liberdade de quem não tem nada a perder e tudo a provar.

Essa combinação — organização tática, jogadores formados na Europa, e a leveza psicológica de ser o azarão — já produziu surpresas nesta Copa e em Copas anteriores. O Brasil sabe disso. Ou deveria saber.

O único confronto entre os dois em Copa terminou com vitória brasileira. Que sirva de registro histórico. No mata-mata de 2026, o passado não entra em campo.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Japão empata com Suécia e enfrenta Brasil nos 16-avos da Copa

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil · UOL