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Japão empata e evita retrocesso na Copa do Mundo

Seleção japonesa demonstra capacidade de manter-se competitiva mesmo sem vitória. Análise das estratégias táticas.

Japão empata e evita retrocesso na Copa do Mundo

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um equívoco que se repete toda Copa do Mundo. Aconteceu em 2002, voltou em 2022, e a chance de se repetir em 2026 está marcada para segunda-feira, às 14h de Brasília. O equívoco chama-se subestimar o Japão. Custa caro. Sempre custou.

Os Samurais Azuis terminaram o Grupo F na segunda posição, atrás da Holanda, depois de empatar com a Suécia por 1 a 1 em Dallas. O placar, tirado do contexto, parece modesto. Mas classificar-se num grupo com suecos e holandeses não é modéstia — é trabalho. E é exatamente esse trabalho o que faz do Japão um adversário que o Brasil não pode receber com braços abertos e cabeça nas nuvens.

O futebol japonês dos últimos anos não é o mesmo de quando o país descobria a bola. Há uma geração de jogadores formados nos clubes europeus de primeira linha, habituados à pressão, ao ritmo, à brutalidade tática dos grandes campeonatos. A seleção que entra em campo hoje conhece os sistemas adversários porque convive com eles toda semana. Não é uma equipe que vem olhar. É uma equipe que vem jogar.

O empate com a Suécia não foi fracasso de quem queria mais. Foi o resultado suficiente de quem sabe o que quer — e soube quando parar de arriscar.

Essa inteligência situacional é, talvez, o traço mais perigoso que o Brasil encontrará. O Japão não desorganiza o adversário com habilidade individual exuberante. Desorganiza com coletivo, com pressão coordenada, com a capacidade de sustentar um plano de jogo durante 90 minutos sem perder a forma. Quem viu a Copa de 2022 no Qatar sabe do que se trata: a Alemanha e a Espanha souberam. Souberam depois, claro.

O Brasil, por outro lado, chega ao mata-mata carregando suas próprias questões. A seleção brasileira precisa mostrar, nesta Copa disputada em solo norte-americano, que tem consistência além dos momentos de brilho individual. Que consegue vencer quando o adversário fecha os espaços e apaga as rotas de jogo que a equipe prefere. Contra o Japão, essas rotas estarão bloqueadas desde o apito inicial.

A segunda-feira em Dallas — ou onde quer que o confronto aconteça — não será um passeio pedagógico. Será um jogo de Copa do Mundo, com tudo o que essa frase carrega de imprevisível e definitivo. O Japão empata com a Suécia e se classifica em segundo. Parece notícia pequena. Mas o futebol tem um gosto especial por transformar notícia pequena em problema grande — sobretudo quando a seleção que lê o adversário com descaso é amarela e verde.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Japão empata com Suécia e enfrentará Brasil na próxima fase

Fontes: Agência Brasil · CNN Brasil · ge