Japão chega para vencer na fase de mata-mata
A seleção japonesa entra em campo com objetivo diferente de amistosos: vencer e avançar na competição.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há uma diferença fundamental entre enfrentar o Japão num amistoso de junho e enfrentá-lo numa segunda-feira de Copa do Mundo, com o mata-mata já aberto e o cheiro de eliminação no ar. O Brasil sabe disso. Ou deveria saber.
O confronto marcado para as 14h desta segunda-feira (29/6) não é uma partida qualquer encaixada no calendário. É o primeiro grande teste de caráter desta seleção no torneio. Até aqui, a fase de grupos tem o costume de esconder fragilidades atrás de resultados. O mata-mata não esconde nada. Ele expõe.
O Japão que chega a esta segunda fase não é o mesmo que o Brasil encontrou em campo em 2025. Amistoso é ensaio; Copa é estreia que não admite segunda noite. A equipe japonesa construiu, nos últimos anos, uma identidade de jogo que mistura disciplina tática europeia — resultado direto de uma geração formada nos principais clubes do continente — com uma intensidade de pressão que cansa qualquer time que não esteja disposto a trabalhar sem a bola. Eles são incômodos da maneira mais organizada possível.
O Brasil, por sua vez, chega com todas as expectativas que o Brasil sempre carrega — e com todas as contradições que essas expectativas costumam produzir. A seleção entrou na Copa sendo cobrada como favorita ao título, o que significa que qualquer tropeço, qualquer empate nos acréscimos, qualquer pênalti sofrido vira catástrofe nacional antes do apito final. Esse peso não é detalhe. Ele entra em campo junto com os onze.
O mata-mata tem uma crueldade pedagógica: não importa o que aconteceu antes. Importa o que acontece agora.
A diferença entre o amistoso de 2025 e este duelo está menos no esquema tático de um ou outro e mais no que está em jogo. Naquele encontro, um gol mal defendido era dado curioso para análise de especialista. Aqui, é bilhete de volta para casa. Essa alteração de contexto muda o jogador dentro do jogador. Muda o técnico dentro do técnico. E muda, inevitavelmente, a forma como o jogo se desenrola.
Há algo que o futebol japonês aprendeu a fazer muito bem: viver confortavelmente com o desconforto de ser dado como menor. Eles não reclamam do papel de zebra. Eles o estudam. E quando a oportunidade aparece — num contra-ataque, num escanteio cobrado com precisão cirúrgica, num erro de concentração do adversário — eles cobram com frieza.
O Brasil tem talento individual que nenhum japonês questiona. Mas talento individual, num jogo de mata-mata contra uma equipe compacta e bem orientada, precisa de mais do que inspiração. Precisa de método. Precisa de paciência para desmontar o bloco sem se abrir para o tranco. Precisa, acima de tudo, de seriedade coletiva — a mais rara das qualidades quando a pressão da camisa aumenta o volume de tudo que já era alto.
A Copa de 2026 ainda está no começo do que importa. E o Brasil vai descobrir, nesta segunda-feira, que tamanho não é documento quando o árbitro apita o início do mata-mata.
Marcos Tibúrcio, Esporte — XaplinMarcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fontes: BBC News Brasil · ge