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O ídolo que Yamal escolheu diz muito sobre Yamal

Análise · Marcos Tibúrcio Lamine Yamal tem 18 anos, uma Copa do Mundo pela frente e poderia ter dito Messi.

O ídolo que Yamal escolheu diz muito sobre Yamal
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Análise · Marcos Tibúrcio

Lamine Yamal tem 18 anos, uma Copa do Mundo pela frente e poderia ter dito Messi. Seria o óbvio — o craque com quem divide vestiário, o homem que ele viu levantar a taça no Qatar com 12 anos de idade, o jogador que a maior parte do mundo considera o maior da história. Mas Yamal disse Neymar. E essa escolha, por si só, já é um texto.

Não se trata de preferência casual. Quando um jogador da geração de Yamal aponta um ídolo, está revelando o que o formou — quais imagens ficaram gravadas na retina antes que o talento próprio surgisse como resposta. Neymar foi, na primeira metade da década de 2010, o jogador que mais perturbava a ideia de que futebol era função. Ele jogava como quem precisava mostrar algo além do gol. A pedalada, o drible em espaço inexistente, o chapéu sem necessidade — eram afirmações estéticas, quase manifestos. Para uma criança que crescia em Rocafonda, bairro de Mataró, com pai gambiano e mãe equatoguineense, aquele futebol de exibição e alegria devia soar como uma língua conhecida.

O que é fascinante é que Yamal absorveu a estética sem reproduzir os excessos. O espanhol é mais econômico, mais letal, menos teatral. Mas a disposição de tentar o que não está no manual — o driblar por driblar, o prazer visível no um contra um — tem ascendência neymariana. Os ídolos raramente se copiam; em geral, se metabolizam.

Yamal não disse que Neymar é o melhor. Disse que é o que mais gosta de assistir. A distinção é pequena na superfície e enorme no que revela.

Há também o que a declaração diz sobre o momento do próprio Neymar — ou melhor, sobre a permanência de sua imagem. O brasileiro passou os últimos anos entre lesões, polêmicas e uma carreira que parecia desmoronar em câmera lenta. Não está nesta Copa do Mundo. E ainda assim vive na cabeça do melhor jogador jovem do planeta. Isso é um tipo de legado que não aparece em estatística nenhuma.

Para a Espanha nesta Copa de 2026, Yamal é mais do que promessa — é o argumento central do time. A seleção que ganhou a Eurocopa em 2024 carregou nos pés desse garoto parte considerável do seu jogo mais bonito. Aqui, nos Estados Unidos, no México, no Canadá, o escrutínio será maior, o adversário mais preparado, a pressão multiplicada. É nesse ambiente que os ídolos são testados — não os ídolos declarados, mas os que se constroem em campo.

Yamal escolheu Neymar. Agora o mundo vai ver o que Yamal faz com essa herança. A Copa costuma ser cruel com os herdeiros. E generosa, às vezes, com quem entendeu a lição certa.

*Marcos Tibúrcio*

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Lamine Yamal diz que Neymar é seu ídolo no futebol

Fonte: ge