O hospital de campanha do Ninho do Urubu
Análise · Marcos Tibúrcio Nove homens do Flamengo foram à Copa do Mundo. Agora, nove homens do Flamengo voltaram.
Análise · Marcos Tibúrcio
Nove homens do Flamengo foram à Copa do Mundo. Agora, nove homens do Flamengo voltaram. O último, o colombiano Carrascal, cruzou os portões do Ninho do Urubu neste domingo, com dez dias de férias nas pernas e o mesmo ritmo de jogo de quem assistiu ao Mundial pela televisão — nenhum. Na Gávea, chama-se a isso "elenco completo". Na arquibancada, onde o futebol é menos planilha e mais urgência, o nome é outro: um problema.
O retorno dos selecionáveis soa a toque de clarim, mas a tropa está em frangalhos. O técnico Leonardo Jardim, um português que parece entender a alma do brasileiro que sofre, deu a imagem definitiva. Escalar um recém-chegado seria o mesmo que tirar um homem da UTI para correr uma maratona. É a descrição fria de um hospital de campanha. Carrascal é o último a se apresentar, mas junta-se a uma enfermaria estrelada onde se encontram Arrascaeta e Paquetá, ausências de meses, e os zagueiros Léo Pereira e Danilo, ainda inaptos para o combate.
O calendário não pergunta pela saúde de ninguém. Na quarta-feira há uma Chapecoense, em Chapecó, para encerrar o primeiro turno. Há, principalmente, um Palmeiras sete pontos à frente na tabela, uma distância que transforma cada rodada numa final antecipada. O Flamengo tem os nomes, os salários, o peso da camisa. Não tem, no entanto, os corpos.
A Copa do Mundo é o sonho de qualquer jogador e o pesadelo de qualquer clube que se atreve a ser grande no Brasil. Ela suga o talento, a energia e devolve atletas fora de ponto, como um prato que esfria à espera de um convidado que não chega. O caso de Carrascal é emblemático. Foi ao Mundial, não pisou em campo, e não joga uma partida oficial desde um amistoso em 7 de junho. Voltou para o Flamengo um jogador mais caro, mais famoso e menos útil — ao menos por enquanto.
A contagem oficial dirá que o Flamengo está, enfim, inteiro. Mas o time que vai a campo em Santa Catarina será um retrato do que sobrou. Uma equipe que olha para o departamento médico com a mesma atenção que dedica ao adversário. O desafio de Jardim não é tático ou técnico. É, antes de tudo, de gestão de um convalescente. Ter os nove de volta é uma verdade burocrática. Tê-los em campo, jogando, decidindo, é a miragem que definirá se o segundo semestre rubro-negro será uma arrancada ou uma longa e dolorosa maratona.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Carrascal se reapresenta ao Flamengo e completa time da Copa
Fonte: ge
Este conteúdo não substitui orientação médica individual. Em caso de dúvida, procure um serviço de saúde.