O homem que colecionava despedidas
Conto Ele entrou no Pigalle pela última vez num sábado de chuva. Disse que estava colecionando despedidas e que aquela era a mais importante.
BICA.
Conto
Ele entrou no Pigalle pela última vez num sábado de chuva. Disse que estava colecionando despedidas e que aquela era a mais importante.
— Importante por quê? — perguntou Almeida.
— Porque esta é a única que dói.
Sentou no banco de sempre, pediu o de sempre, olhou para o palco vazio como quem procura fantasmas. Bebeu em silêncio a noite inteira.
Na saída, deixou uma gorjeta absurda e um bilhete:
"Se perguntarem por mim, digam que saí para comprar cigarros. É o que todos dizem quando não pretendem voltar."
— Cassio Dumont, crônica noturna
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