Árbitro paulista mediará clássico mineiro tenso
A Confederação Brasileira de Futebol escalou um árbitro paulista para o clássico mineiro, prometendo equilibrar as tensões do confronto.
Análise · Marcos Tibúrcio
A CBF escolheu um paulista para mediar a guerra de Minas. Raphael Claus, nome de árbitro da FIFA, mas que soa como personagem de tragédia antiga, sobe ao gramado da Arena MRV na próxima terça-feira com o apito na boca e a memória de um clássico nos ombros. Dele e dos dois lados de Belo Horizonte.
O futebol, às vezes, gosta de rimas. Em 2019, também quartas de final da Copa do Brasil, era Claus quem apitava a ida no Mineirão. O Cruzeiro fez 3 a 0, um placar que praticamente selou o destino do rival. Agora, cinco anos depois, o mesmo homem, a mesma fase, o mesmo torneio. Só o palco é outro. E o placar de ida, um 1 a 1 tenso e hospitalar, não sela destino algum. Apenas o inflama.
Um boletim diria que a escolha é técnica. Um homem do quadro da FIFA para um jogo de nervos. Mas o futebol não se resume ao livro de regras. O primeiro jogo não deixou apenas um gol para cada lado; deixou um zagueiro na maca, um atacante com costelas e face fraturadas, e outro à espera de um julgamento no STJD que pode lhe custar seis partidas. A bola parou, a rivalidade não. O empate do Mineirão foi escrito mais com o corpo do que com a bola.
A nomeação de Claus, portanto, não é um mero ato administrativo. É o prólogo do segundo ato. A arquibancada, que já vivia a contagem regressiva para o apito inicial, agora tem um rosto para onde direcionar sua apreensão, sua esperança, sua fúria preventiva. O árbitro, antes de entrar em campo, já é personagem central de uma história que ele não começou, mas que terá o poder de concluir.
É claro que, para o homem do apito, o passado pode não pesar tanto quanto pesa para quem veste a camisa ou paga o ingresso. O profissionalismo exige esquecimento. Mas o futebol não é ofício de gente esquecida. A memória de 2019 vive no lado azul; a lembrança do primeiro jogo, com seus ossos quebrados, pulsa no lado alvinegro.
Claus não apitará apenas um jogo. Apitará as consequências, as feridas abertas, a desconfiança mútua. Qual será o critério do homem que já viu de perto o que essa rivalidade pode produzir? E como a arquibancada, esse gigante de milhares de vozes, irá interpretar cada gesto seu?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge
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