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Haiti surpreende na Copa e expõe fragilidades do Brasil

Análise tática revela como o desempenho haitiano funciona como espelho para as deficiências brasileiras em campo.

Haiti surpreende na Copa e expõe fragilidades do Brasil

Análise · Marcos Tibúrcio

Tem jogos que pedem análise tática. E tem jogos que pedem outra coisa — uma pausa, um olhar mais fundo, uma pergunta sobre o que o futebol está fazendo ali. Brasil e Haiti, nesta sexta-feira na Filadélfia, é o segundo tipo.

O Haiti classificou-se para esta Copa do Mundo. Isso, por si só, é um dado que merece ser dito sem ironia e sem condescendência. Não é surpresa exótica, não é história de superação para emocionar plateia. É um time que jogou as eliminatórias, somou pontos, passou. O futebol caribenho atravessou décadas de marginalidade dentro da própria CONCACAF e chegou aqui. O fato tem peso.

O Brasil, por sua vez, entra em campo pela segunda rodada do Grupo C carregando o peso habitual — e o peso habitual, nesta Copa, já começa a ter textura própria. A Seleção não chega à Filadélfia com a autoridade automática de outros torneios. Chega com questões em aberto, com uma identidade de jogo que ainda se está desenhando, com a consciência de que o Grupo C não termina no Haiti.

É exatamente por isso que este jogo importa mais do que o placar final vai sugerir.

Contra um adversário tecnicamente inferior — e o Haiti é inferior ao Brasil, isso não é cruel, é apenas verdadeiro —, a Seleção tem diante de si uma oportunidade rara no futebol de alto nível: jogar sem o medo de perder dominando o jogo. O que se vai descobrir ali não é se o Brasil vence. É como o Brasil vence. Com que convicção. Com que padrão de jogo. Com que firmeza nas escolhas do técnico.

Goleada fácil pode adormecer a análise. Vitória sofrida pode exagerar o alarme. O que o jogo contra o Haiti vai revelar é o caráter de processo desta Seleção — e caráter de processo não aparece nos lances de gol.

Na arquibancada da Filadélfia, boa parte da massa verde-amarela vai querer espetáculo. Vai querer ver o centroavante na área, a jogada de beirada, o meia que dribla dentro do círculo central. Vai querer sair do estádio com a sensação de que esta equipe tem algo. Essa cobrança, disfarçada de festa, é a mais severa que existe — porque não tem placar específico para satisfazê-la.

O Haiti vai jogar. Vai se organizar, vai tentar criar dificuldade, vai ter pelo menos um momento em que a torcida brasileira vai franzir a testa nas arquibancadas. Isso não é previsão pessimista — é o funcionamento normal de qualquer seleção que chega a uma Copa do Mundo. Ninguém atravessa eliminatória para entrar em campo de braços abertos.

O que se joga na Filadélfia nesta sexta é simples e complexo ao mesmo tempo: o Brasil tem a chance de mostrar que sabe o que quer ser nesta Copa. Tem a chance de transformar uma partida tecnicamente desequilibrada em ensaio de convicção. Se vai aproveitar — isso é a única pergunta que vale.

Marcos Tibúrcio, Xaplin Esporte — Copa do Mundo 2026

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fontes: CNN Brasil · ge