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Brasil enfrenta Haiti na Copa e busca vitória convincente

A seleção brasileira recebe o Haiti nesta sexta-feira na Filadélfia em partida que promete definir o rumo do grupo.

Brasil enfrenta Haiti na Copa e busca vitória convincente

Análise · Marcos Tibúrcio

A Filadélfia recebe nesta sexta-feira um jogo que, na superfície, parece simples de ler. Brasil contra Haiti, 21h30, segunda rodada do Grupo C. Favorito cantado, placar provável já ensaiado nas redações antes do apito. Mas futebol que se conta assim não merece ser contado.

O Haiti está numa Copa do Mundo. Deixe isso assentar por um momento. Um país que em 2010 viu o chão abrir sob seus pés — literalmente — e enterrou mais de duzentas mil pessoas numa tarde de janeiro, está numa Copa do Mundo. A presença haitiana neste torneio não é curiosidade de tabela. É um arco narrativo que começa nos escombros e termina, por ora, num gramado da Filadélfia diante do pentacampeão.

Há uma figura que a apuração revelou e que merece mais do que uma nota de rodapé: Neno, brasileiro que conheceu o Haiti em 2010, em meio à tragédia, e depois se mudou para lá. O futebol tem essa estranheza generosa — junta gente, cria lealdades onde não havia nem endereço. Que um brasileiro torça contra o Brasil esta noite, de dentro de uma história assim, diz algo sobre o que o esporte pode fazer quando vai além do resultado.

O Brasil entra em campo com a pressão habitual de quem carrega a camisa mais pesada do mundo. Pesada de história, pesada de expectativa, pesada de tudo que se projeta nela a cada quatro anos. A liderança do Grupo C ainda se desenha — a primeira rodada deixou questões abertas — e uma tropeçada aqui teria o peso desproporcional que só a camisa amarela consegue gerar. Não porque o Haiti seja simples de enfrentar, mas porque perder para o Haiti, neste contexto, seria um terremoto simbólico de outra natureza.

O Haiti chegou até aqui. Isso já é uma conquista que nenhum placar apaga. O Brasil precisa chegar mais longe — e sabe disso melhor do que ninguém.

O que está em jogo para os brasileiros esta noite não é apenas os três pontos da segunda rodada. É o tipo de performance que define se uma seleção está jogando ou apenas cumprindo tabela. Há uma diferença enorme entre as duas coisas, e a arquibancada — mesmo a da Filadélfia, longe do Maracanã — sente essa diferença antes mesmo do primeiro minuto. Times que cumprem tabela perdem para quem não tem nada a perder. Times que jogam, não.

O Haiti tem tudo para entrar em campo liberto. Liberto da pressão, liberto da expectativa, talvez até liberto do resultado. Esse tipo de liberdade já derrubou favoritos em Copas anteriores e vai derrubar de novo, em algum jogo desta edição. A questão é se o Brasil vai tratar esta sexta-feira como protocolo ou como jogo de Copa do Mundo — que é, por definição, o único tipo de jogo onde protocolo não existe.

A Filadélfia não é a Filadélfia de Rocky. Mas tem suas escadas. Esta noite, o Haiti vai subir as dele só de estar lá. O Brasil precisa subir as suas dentro do campo.

*Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin*

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil enfrenta Haiti nesta sexta na segunda rodada da Copa do Mundo

Fontes: Agência Brasil · BBC News Brasil