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Popularidade do governo do Pará diminui, aponta pesquisa

Pesquisa revela queda na aprovação do governo estadual do Pará, impactando as eleições municipais. Analisamos os fatores.

Popularidade do governo do Pará diminui, aponta pesquisa
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Uma governadora no cargo, com a máquina do estado, e um ex-prefeito de uma cidade da região metropolitana terminam o mês de julho com o mesmo tamanho. A pesquisa Quaest, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código PA-07718/2026, mostra Hana Ghassan (MDB) com 27% das intenções de voto e Dr. Daniel Santos (Podemos) com 28%. A diferença de um ponto percentual, dentro da margem de erro de três pontos, estabelece um empate técnico.

O que a fotografia do momento revela, no entanto, é o filme dos últimos meses. Em julho, a mesma Quaest registrava 36% para a governadora e 35% para o ex-prefeito. Hana Ghassan perdeu nove pontos percentuais; Dr. Daniel, sete. A queda simultânea dos dois principais candidatos não transferiu votos para os demais postulantes, que somados alcançam 7%. O capital político perdido pelos ponteiros foi, em sua maior parte, para o contingente dos indecisos, que cresceu para 29% — quase um em cada três eleitores.

É minha opinião que este movimento sugere uma campanha que ainda não começou de fato para o eleitorado paraense. A governadora Ghassan assumiu o Palácio dos Despachos quando Helder Barbalho (MDB), eleito em 2022, deixou o posto para concorrer ao Senado. Seu nome, portanto, não passou pelo teste de uma eleição majoritária como cabeça de chapa. Dr. Daniel, por sua vez, renunciou à prefeitura de Ananindeua em abril, um município de peso, mas que não representa a totalidade do estado.

A simulação de segundo turno reforça o quadro de equilíbrio estático: ambos aparecem com 36%, com 20% de indecisos. Não há, nos dados divulgados neste sábado, 29, qualquer indicação de vantagem para um dos lados. O que se desenha é um cenário de disputa em aberto, dependente da capacidade de cada campanha de se apresentar a um eleitorado que, por ora, parece recuar para a neutralidade.

A estrutura de poder do MDB no Pará, consolidada sob a figura de Helder Barbalho, aliado do presidente Lula (PT), não se converteu, até aqui, em favoritismo para sua sucessora. É uma leitura possível que a nacionalização da disputa ainda não tenha chegado ao estado, ou que sua influência seja menor do que se poderia supor. O que se sabe é que o governo, numericamente, encolheu. Resta saber se encolheu por um desgaste específico de quem governa ou se é apenas o passo atrás que o eleitorado dá antes de começar a andar.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Dr. Daniel e Hana Ghassan empatam no Pará, aponta Quaest

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL