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O gestor de Araxá e a cadeira do Alvorada

Análise · Luciano Aragão O homem que estreou em eleições há apenas oito anos agora quer a chave do Palácio da Alvorada.

O gestor de Araxá e a cadeira do Alvorada
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Análise · Luciano Aragão

O homem que estreou em eleições há apenas oito anos agora quer a chave do Palácio da Alvorada. Romeu Zema Neto, 61, deixou o governo de Minas Gerais para uma empreitada que, em 2018, parecia improvável para um administrador de empresas de Araxá. O partido é o mesmo, o Novo. A plataforma, também: um decalque da cartilha que o elegeu duas vezes para o Palácio Tiradentes, com promessas de contas em equilíbrio e menos burocracia.

Zema não é um político forjado nos corredores do Congresso. Sua biografia é a do setor privado, formatada pela Fundação Getulio Vargas e pela gestão do grupo empresarial da família. Ele vende essa origem como um ativo, um selo de eficiência. Quando entrou na disputa pelo governo mineiro, sua aposta foi na imagem do gestor capaz de aplicar ao estado as práticas que conhecia das suas planilhas. Funcionou. Foi eleito e, quatro anos depois, reeleito em primeiro turno, um feito que o projetou para além da Avenida Afonso Pena.

Um caminho sem atalhos

A candidatura presidencial é o passo seguinte e lógico. Zema oferece ao eleitorado de centro-direita uma narrativa de previsibilidade. Não há guinadas ideológicas súbitas ou arroubos retóricos em seu histórico. Ao seu lado, terá Eduardo Girão, também do Novo, compondo uma chapa pura, sem as costuras partidárias que se tornaram a rotina de Brasília.

A maior tarefa de Zema não será convencer o mercado, que já o conhece, mas traduzir seu discurso de liberalismo econômico para um eleitorado que talvez prefira promessas mais diretas e menos abstratas que a ampliação da participação do setor privado na economia.

O ex-governador aposta que o Brasil de 2026 buscará um perfil técnico, cansado da polarização que marcou as últimas disputas. A sua campanha será, na essência, uma replicação em escala nacional do modelo testado e aprovado em Minas Gerais. A diferença é que, agora, o tabuleiro é maior e os adversários, mais experientes.

Ele terá de provar que a renovação política prometida em 2018 ainda tem apelo e que um currículo de gestor é suficiente para governar um país continental. A cadeira principal do Planalto fica a um estado de distância de onde ele governou. Mas a travessia é mais longa do que o mapa sugere. Será o gerente de Araxá o síndico que o Brasil procura?

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Romeu Zema é candidato à Presidência em 2026 pelo Novo

Fonte: Agência Brasil