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Flamengo já percorreu qual caminho no mapa-múndi

Análise sobre a trajetória internacional do Flamengo e as perguntas que os torcedores fazem nos bastidores do clube.

Flamengo já percorreu qual caminho no mapa-múndi

Análise · Marcos Tibúrcio

Existe uma pergunta que nenhum torcedor faz em voz alta, mas que ronca baixinho nos corações mais exaltados da Gávea: o Flamengo bateria uma seleção da Copa do Mundo? A resposta, ao menos no registro histórico, é sim — e com alguma folga.

O clube carioca acumula 11 vitórias, oito empates e cinco derrotas contra seleções que estão na Copa de 2026, o torneio que começou em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá. Saldo positivo, portanto. Não é campanha de clube pequeno. É o tipo de número que aparece devagar, quase sem cerimônia, e depois fica pesando na cabeça.

Mas o que esse histórico diz, de fato? Diz, antes de qualquer coisa, que o Flamengo não é uma criatura apenas doméstica. Ao longo das décadas, o clube atravessou fronteiras — às vezes em amistosos de pré-temporada, às vezes em torneios intercontinentais — e se mediu com seleções nacionais com uma regularidade que poucos clubes brasileiros podem reivindicar. Zico jogou contra o mundo. Adriano também. A história do Flamengo tem passaporte carimbado.

Há, contudo, uma armadilha nessa leitura. Comparar um clube com seleções é uma operação de risco metodológico. Seleção convocada para amistoso de meio de semana não é a seleção do sétimo jogo de uma Copa do Mundo. Flamengo em pré-temporada não é o Flamengo de outubro. O contexto importa tanto quanto o placar. Onze vitórias ao longo de décadas, contra seleções em estágios variados de preparação e ambição, é um dado que ilumina, mas não prova nada além de si mesmo.

O que o número revela é mais simbólico do que tático: o Flamengo sempre foi grande o suficiente para que o mundo quisesse saber como era jogar contra ele.

E isso, num momento em que a Copa do Mundo acontece na América do Norte e o Brasil tenta convencer a si próprio de que tem candidatos ao título, não é detalhe menor. O clube mais popular do país — com toda a contradição que essa posição carrega — tem um currículo internacional que sustenta a mitologia. Não porque venceu sempre, mas porque esteve lá. Cruzou o oceano. Perdeu algumas. Ganhou mais.

O futebol de seleção e o futebol de clube são animais diferentes, com calendários, lealdades e pressões que raramente se encontram. Mas quando um clube acumula esse tipo de registro contra as melhores nações do planeta, o dado merece ser lido com atenção — não como prova de superioridade, e sim como evidência de presença. O Flamengo esteve no jogo grande mais vezes do que a memória imediata registra.

Enquanto os países se medem em Dallas, Los Angeles e Toronto, o Rubro-Negro carioca assiste à Copa com um histórico que poucos clubes do mundo teriam coragem de publicar. Onze vitórias. Cinco derrotas. E a certeza de que, em algum momento, a arquibancada do Maracanã já viu esse filme antes.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Flamengo tem saldo positivo contra seleções da Copa de 2026

Fonte: ge