O fim do começo
Análise · Luciano Aragão Começou nesta segunda-feira (20) o prazo para as convenções partidárias.
Análise · Luciano Aragão
Começou nesta segunda-feira (20) o prazo para as convenções partidárias. É o momento em que o jogo jogado nos gabinetes, nos jantares e nas trocas de mensagens de última hora se transforma em ata registrada. O que era especulação vira fato jurídico. O que era promessa se torna, ou não, candidatura oficializada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral.
O período, que se estende até 5 de agosto, é o grande teatro da política institucional. É quando os partidos definem quem disputará a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado e as cadeiras no Legislativo. Formalizam-se as coligações, sorteiam-se números. Uma burocracia necessária que esconde a verdadeira natureza do processo: a contagem final de forças.
Nenhuma decisão relevante é, de fato, tomada durante o evento da convenção. As escolhas reais já aconteceram, em conversas que não constam em nenhum diário oficial. A convenção é a fotografia do baile, não a dança em si. É o palco onde os vitoriosos da disputa interna são coroados e os derrotados medem o tamanho exato de seu isolamento. O aperto de mão para a câmera consolida acordos selados semanas antes; o discurso inflamado é a homologação de um roteiro pré-aprovado pela executiva nacional.
As convenções nacionais, que decidem a chapa presidencial, e as estaduais, que arranjam o tabuleiro regional, operam em uma simbiose complexa. Um apoio declarado em Brasília pode significar a retirada de uma candidatura ao governo de um estado estratégico. O tempo de televisão de um partido pequeno pode valer mais do que qualquer afinidade programática na hora de selar uma aliança para a Câmara dos Deputados.
Para o eleitor, a convenção é o ponto de partida. Para os políticos, é a linha de chegada de uma maratona particular, extenuante e invisível. Até 5 de agosto, os acordos serão testados, as lealdades, postas à prova, e os números, finalmente alocados no sistema CANDex. O que vier depois é outra campanha.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Prazo para convenções partidárias tem início nesta segunda
Fonte: Agência Brasil