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O fantasma de Belém espera o Corinthians

Análise · Marcos Tibúrcio O futebol de clubes volta como quem acorda de um sonho longo e febril.

O fantasma de Belém espera o Corinthians
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

O futebol de clubes volta como quem acorda de um sonho longo e febril. A Copa do Mundo, com suas fanfarras e heróis de ocasião, se foi. Resta a poeira e o asfalto do nosso Campeonato Brasileiro. E para o Corinthians, a volta à realidade tem a forma de um reencontro que a memória do Parque São Jorge preferiria esquecer: o Remo, no sábado, em Itaquera.

A tabela dirá que é a décima nona rodada, um jogo como tantos outros na moenda de pontos corridos. Mas não é. Há jogos que escapam da lógica das planilhas. São duelos assombrados. Em 2023, essas mesmas duas equipes se encontraram. O Corinthians, gigante de orçamento continental; o Remo, então um habitante da Série C, um mundo de distância.

A primeira batalha foi em Belém. E o que se viu no Mangueirão lotado foi um assombro. Não se tratava de tática, de encaixe ou de transição. Tratava-se de alma. O Remo, com seus homens de nomes que não frequentam as manchetes nacionais — Vinicius, Paulinho Curuá, Pedro Vitor —, jogou com a fúria de quem defende a própria casa. O placar de 2 a 0, com gols de Richard Franco e Muriqui, foi menos um resultado e mais uma sentença. Naquela noite, o mapa do futebol brasileiro foi virado de cabeça para baixo.

A volta, em São Paulo, foi o drama em sua forma mais pura. O Corinthians precisou de noventa minutos, um gol de Adson e outro de Róger Guedes, para arrastar a decisão para os pênaltis. O gigante, ferido, sangrava em seu próprio gramado. A arquibancada, que esperava um trâmite, viveu uma agonia. A classificação veio, sim, na defesa de Cássio no chute de Leonan. Mas foi uma vitória com gosto de alívio, não de glória. O tipo de vitória que deixa cicatrizes.

Três anos se passaram. O Remo, hoje, está na Série A. Não é mais o Davi eventual; é um adversário direto. Mas aquele fantasma de 2023 ainda percorre os corredores do estádio corintiano. O histórico geral, surpreendentemente, aponta vantagem para o time paraense. O futebol, afinal, não é feito de dinheiro ou de fama. É feito de memória. E a memória daquela noite em Belém é a verdadeira adversária do Corinthians neste sábado.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Remo e Corinthians se enfrentam no sábado pelo Brasileiro

Fonte: ge